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Águas do Tempo

Adams Cezar

Letra

    Venho de um tempo em que as águas das vertentes
    Deslizavam lentamente fecundando os mananciais
    Onde as estrelas desciam do firmamento
    E bailavam com o vento se embalando nos juncais

    As águas claras eram o espelho da lua
    Que despudorada e nua se banhava branca e alva
    Nas noites mornas de um setembro em pleno cio
    Prateando as águas do rio com ciúme da estrela dalva

    Venho de um tempo de angazeiros nas barrancas
    Remansos e areias brancas e garças nos amarilhos
    Vivo num tempo de enchentes e correntezas
    Nas águas das incertezas
    Que vou deixar para os meus filhos

    Venho de um tempo em que o rio era fecundo
    E o seu ventre profundo só nas margens dava pé
    Nas calmarias os olhos do pescador
    Roubava do céu a cor pra pintar os aguapés

    Venho de um tempo em que luz da lua cheia
    Refletida nas areias tinha nuanças de prata
    Costeando as águas, camboins e araçás
    Eram palcos pra os sabiás fazerem suas serenatas

    Composição: Adams Cezar / Jaime Brum Carlos. Essa informação está errada? Nos avise.

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