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Quebrando Geada

Adams Cezar

LetraSignificado

    Já entrou o junho
    Firmando o inverno e sustentando o frio
    O corredor vazio
    Marcado de casco já não traz ninguém

    As chuvas que vêm alagam o pasto
    Mesmo sendo calmas
    E encharcam as almas
    De longas esperas pra os rumos que têm

    O minuano toreia a quincha do galpão
    E verga o taquaral
    Gélido punhal
    Que sangra a paz do dia com seus desalentos

    Lâmina do vento de profundo corte
    E cicatriz tão feia
    Que insiste e tenteia
    A sangrar meu peito num cruel intento

    Os ponchos são cielos
    Donde o sereno pinta suas estrelas
    E as horas sinuelas nos levam
    Por diante entre as cerrações

    Almas regeladas vão quebrando geada
    E sustentando a vida
    E a pior invernia
    Pode ser poesia nestes corações

    A geada preta abraça as manhãs
    Com bárbaro gelo
    Arrepiando o pelo de quem madrugou
    Pra empezar a lida

    Mas quem ganha a vida
    Em cima do arreio cá nesses fundões
    Não espera verões
    Que o tempo lhe cobra a plata recebida

    Não hay tempestade
    Que atropele o tino destas almas claras
    O calor do brio atropela o frio cada vez mais vivo
    Nuvens de palheiro
    Já contraponteiam o tempo maleva
    E o inverno reza
    Pra que o próprio inverno bote o pé no estribo

    Composição: Adams Cezar / Carlos Omar Villela Gomes / Paola Vieira. Essa informação está errada? Nos avise.

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