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Da Torneira

Adriana Varela

De La Canilla

En tu bulín de ermitaño aún te sigue faltando
La bombachita colgando de la canilla del baño
Llevás demasiados años sacándole el cuerpo al bulto
Con argumentos profundos dignos de un Dalai Lama
Y aún seguís con la cama tan fría como un difunto

Cuando sos interrogado sobre tu estado civil
No sabés lo que decir, si soltero o divorciado
Los viernes, días sagrados, salís a romper la noche
Diez litros de nafta al coche, y una vuelta por las
Canchas
A ver lo que se levanta para poner digno broche

Galán de perfil mediano que te hacés el centrojás
Cuando al mostrador llegás con tu paso de verano
Lo que vos soñás, hermano, es difícil de encontrar
Sé que es brava de bancar la soledad del domingo
Y que el fútbol y los pingos comienzan a no alcanzar

Es verdad que los amigos son lo más grande del mundo
Y también que en lo profundo de tu alma estás conmigo
Escuchá lo que te digo, metételo en la cabeza

No se borra esa tristeza subiéndote a cualquier tren
Te hace falta una mujer en lugar de mil princesas
No pienses que es un consejo, ¡qué te voy a enseñar
Yo!
Si estoy mucho peor que vos, mis recuerdos son añejos

Buscá de frente al espejo, en el botiquín del baño
El frasco del desengaño ya no tiene más pastillas
Jugate a hacer la sencilla, que este puede ser tu año

Besala como vos sabés, regalate la poesía
De vivir en compañía de la mujer que querés
Convencete que podés no te vallas a Sevilla
Que vas a perder la silla y la alegría más bonita
De encontrar la bombachita colgada de la canilla

Besala como vos sabés, regalate la poesía
De vivir en compañía de la mujer que querés
Convencete que podés no te vallas a Sevilla
Que vas a perder la silla y la alegría más bonita
De encontrar la bombachita colgada de la canilla

Da Torneira

No seu apê de eremita ainda tá faltando
A calcinha pendurada na torneira do banheiro
Você já tá há muitos anos fugindo do problema
Com argumentos profundos dignos de um Dalai Lama
E ainda segue com a cama tão fria quanto um defunto

Quando te perguntam sobre seu estado civil
Você não sabe o que dizer, se solteiro ou divorciado
Sextas-feiras, dias sagrados, você sai pra quebrar a noite
Dez litros de gasolina no carro, e uma volta pelas
Quadras
Pra ver o que aparece pra dar um toque digno

Galã de perfil mediano que se faz de centroavante
Quando chega no balcão com seu passo de verão
O que você sonha, irmão, é difícil de achar
Sei que é duro aguentar a solidão do domingo
E que o futebol e as baladas começam a não dar conta

É verdade que os amigos são a maior riqueza do mundo
E também que no fundo da sua alma você tá comigo
Escuta o que eu te digo, enfia isso na cabeça

Não se apaga essa tristeza subindo em qualquer trem
Faz falta uma mulher no lugar de mil princesas
Não pense que é um conselho, o que eu vou te ensinar
Eu!
Se tô muito pior que você, minhas lembranças são antigas

Olhe de frente pro espelho, no armário do banheiro
O frasco da desilusão já não tem mais pílulas
Se jogue a fazer o simples, que esse pode ser seu ano

Beije-a como você sabe, se presenteie com poesia
De viver em companhia da mulher que você quer
Convencido de que pode, não vá pra Sevilha
Que você vai perder a cadeira e a alegria mais bonita
De encontrar a calcinha pendurada na torneira

Beije-a como você sabe, se presenteie com poesia
De viver em companhia da mulher que você quer
Convencido de que pode, não vá pra Sevilha
Que você vai perder a cadeira e a alegria mais bonita
De encontrar a calcinha pendurada na torneira

Composição: Adriana Varela