NOITE SULINA
Adriano Gomes
A Lua beija a lagoa, lindo romance prateado
E o gaguejar de um tarrã ecoa no descampado
Povoando a noite sulina de sonhos abagualados
Povoando a noite sulina de sonhos abagualados
A brisa fresca que agita os ramos do alecrim
Faz contraponto à coruja que entoa um canto sem fim
No alambrado em partitura, tendo por palco um cupim
E no galpão um guasqueiro trabalha no couro cru
Enquanto o piá caçador segue o rastro de um tatu
Que na carga do cusquito, se esconde no tacuru
O gado envolto na bruma pra uruguai vai rumando
E um tropeiro mal-costeado bem baixinho vai chiflando
Culatreando a tropa arisca que se some em contrabando
Culatreando a tropa arisca que se some em contrabando
A estrela dalva surgindo, reflete na água do rio
Toda rudez de um amor que enlaça os seres bravios
Depois que alçados farejam cheiro de fêmea no cio
Num talagaço de vento, a pampa sorva e serena
A mansidão dos trevais dessas campinas amenas
Que perpetuado acalanta a noite sulina morena



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