Letra

    O Brasil quer paz
    Paz para todos
    E não só para alguns
    Então o que nós queremos
    É que um preto pobre da favela
    Não seja apenas mais um
    Todos que tentaram
    Poucos conseguiu
    Por culpa desse governo lixo
    Que reside no Brasil

    Foi perigoso eu me apaixonar por ela
    Adrenalina fez parte dessa paixão
    E o incentivo do maloca na favela
    Atento igual sentinela
    Polícia versus ladrão

    À primeira vista de amor foi nas vielas
    Nosso cupido foi a tal da precisão
    Me encantei com a sua numeração raspada
    E o seu tambor cheio de bala
    O nome dela era oitão

    E esse fato cabuloso atormentou minha mente
    Eu não podia prosseguir com essa relação
    A cada fita que passava a chapa fica quente
    Única forma de divórcio era cadeia ou caixão

    Mas eu fui infiel
    Conheci outra mina
    Essa sim me incentivou permaneci de pé
    Bem distante dos holofotes e da correria
    Hoje eu tô casado com a rima essa é minha de fé

    Nesse mundo é difícil evitar ser decepcionado
    Por que hoje em dia ladrão e policia tá tipo gato e rato
    Com os inocentes no meio dessa divergência
    Acaba sendo culpado e assim nós vamos caminhando

    Crianças da periferia vai crescendo
    Visualizando o mundo de outro ângulo
    Tá difícil entender a política
    Em um dia oferecer ajuda

    No outro em uma batida de martelo nos derruba
    Agora encarando a realidade
    Juntando o fato com a verdade
    Será que nossa geração teve ajuda com dignidade?

    Já faz uns dias que eu tô aqui na fundação
    E meu Deus como deve tá o mundão
    É mó saudade da minha filha
    Saudade do meus irmão

    E minha mãe precisando de atenção
    Pois quando eu sair
    Eu vou larga a vida loca
    Não quero mais ver o sofrimento da coroa

    Eu me lembro lá nas antiga, quando eu era menózão
    Ia pra escola mas não fazia lição
    Eu sentava lá no fundão
    Ficava observando

    Várias amiga linda tudo estudando
    E só que o tempo foi passando
    Olha só que absurdo
    Já tenho mó tempão
    Que eu me encontro atrás dos muro

    Eu acredito que tudo que é ruim
    Um dia pode melhorar
    E tirando a morte
    Eu acredito que tudo que foi ainda pode voltar

    O que eu quero mesmo é paz, justiça e liberdade
    A paz eu peço para todos
    Justiça pra nós
    E canta liberdade

    Sou mais um menor da favela
    Em busca de igualdade e união
    Rebatendo a visão do sistema
    Totalmente contra a opressão!!!

    E avisa lá para quem tava torcendo contra
    Que não tá adiantando
    Nóis tá mudando
    Invicto, adorado do pesado, indica como eu tô mudando e melhorando

    Avisa pras que não dava moral
    Que o mundão decidiu dar voltas e voltas
    Se antes ela não queria rindo
    Hoje me pedindo chora, implora

    De bandoleira, pistoleira
    De menina interesseira tô firmão
    E só quero distância
    Então segura que esse som vai vim pesado
    E os direitos estão reservados no nome desse maluco

    Porque eu tô passando a visão
    Pra todos fofoqueiro e pra todos vacilão
    Que isso é primeiro mundo e aqui não é lugar pra jão
    Somente nóis roubou e só com papo de visão

    Tá me faltando compreensão
    Faltando atenção
    Pra falar a verdade tá faltando várias fita
    Nesse mundo de perdição lotado de jão

    Pra ganhar um trocado pra poder gastar com roupa
    Eu me mantenho no adianto
    Mas sigo de canto
    Sem dá brecha
    Não posso me estressar
    Deixa eles ficar falando
    Eles tão se atrasando
    Enquanto nóis só quer se adiantar

    E a língua é chicote de todo corpo
    Cuidado seu moço
    Com o que você fala
    Que é para não se complicar
    No meu bonde só tem bigode grosso
    Menor cabuloso
    E os que dá de louco
    Se brotar vai se estrepar

    É que eu não sou nem mais, nem menos que alguém
    Então pra mim não convém
    Para cada um tem dez para te julgar

    Que eu me mantenho no adianto
    Mais sigo de canto
    Sem dar brecha
    Não posso me estressar

    Deixa ele ficar falando
    Eles tão se atrasando
    Enquanto nóis só quer se adiantar

    Lembra da nossa infância?
    Quando andava e bicicleta na favela?
    Infelizmente resolvi pegar na peça
    Por que cansei de comer bolacha Vitarella
    Hoje me encontro dentro da fundação casa
    E vi que lá fora o governo não se importava com nada
    E hoje eles vêm com suas jogadas ensaiada
    Dizendo que adolescente bom é privado na fundação casa

    Hoje em dia as coisas estão fora do normal
    Tô cansado de ver injustiças com as próprias mãos
    Povos da periferia sendo alvo policial
    Crianças com arma na mão
    Não sabemos o que vai acontecer
    Estamos aqui com corruptos
    Em época de eleição
    Tá na hora disso tudo mudar
    Quero mais respeito por onde eu encostar

    Todo mundo junto e misturado
    Tem capacidade de lutar contra o governo
    Que quer nos manipular
    Fingindo ser mil maravilhas
    Mas na verdade só quer nos enganar

    A união faz a força
    Adolescentes e crianças não entra pra vida loca
    Senão você mesmo vai perceber que foi mais um talento que partiu a toa

    Te apresento a arte da poesia
    Que abala mais que a polícia dentro da periferia
    Sou um jovem negro que já sofreu preconceito
    Talvez seja porque eu resido no gueto
    E desde pivete para os ‘coxinha’ eu já era suspeito

    E ai truta!
    Vai segurando essa rajada de canetada
    Igual barulho de fuzil anunciando a chegada
    De bandido assaltando a agencia bancária

    Nesse momento viajo em vários pensamentos
    Alguns bons outros tormentos
    Que querem me fraquejar
    Entre sonhos e pesadelos lembrei de quando era um detento
    Graças esses maus momentos
    Fez o meu mundão girar

    Disso eu sei nunca foi sorte
    Eu que não vou no meu corre para poder sobreviver
    E bem longe dos holofotes
    Cantando e desmascarando as matérias da globo e do sbt
    Meu Deus do céu como que pode
    O povo grita por ajuda
    E o sistema fingindo que não quer ver

    Sabe qual que é a fita
    Na verdade, o governo não liga pra periferia
    Mas não justifica
    A ação com oitão carregado do pai de família
    Agora imagina
    O psicológico aflito da pobre família
    Que acorda todo dia
    Com armário, geladeira e com a barriga vazia
    Agora imagina, é
    Ouve e se identifica

    Muitos vão falar que é sorte
    Ao me ver na Porsche
    Passando bolado
    Tenho o cabelo pixaim?
    E daí eu vou ter que acelerar!
    Tipo need for speed passando a mil
    Quero ver eles me pegar

    Momentos de solidão
    Foi preciso pra descobrir meu dom
    Trancafiado em plena opressão
    Fez eu chegar na minha superação!

    Nesse momento viajo em vários pensamentos
    Alguns bons outros tormentos
    Que querem me fraquejar
    Entre sonhos e pesadelos lembrei de quando era um detento
    Graças esses maus momentos
    Fez o meu mundão girar


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