Eco Vazio
Agnaldo Alves
O café esfriou na mesa da cozinha
E o relógio na parede insiste em gritar
O silêncio é uma nota que eu já conheço
Um peso no peito que me impede de respirar
Abro as janelas, mas o Sol não me aquece
Sou um fantasma em um quarto que já foi meu
E eu cansei de fingir que o mundo ainda gira
Enquanto o meu chão resolveu desabar
É uma tristeza mansa, que não faz barulho
Mas que inunda a casa se eu deixar de lutar
Estou naufragando em um mar de águas rasas
E o pior de tudo é não querer me salvar
As fotos na estante são de gente estranha
Que sorria por nada e não tinha medo do escuro
Hoje as cores fugiram por entre os meus dedos
E eu construí um castelo cercado por muros
Não é que eu queira ir
Eu só queria não estar
Nesse intervalo cinza
Entre o sono e o despertar
Dizem que o tempo cura, mas o tempo é o carrasco
Que assiste de longe a gente se apagar
Cada batida do coração é um esforço
Que eu já não sei se vale a pena sustentar
A luz da rua pisca
E se apaga outra vez
E eu fico aqui
Esperando o vazio
Me dizer quem eu sou



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