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Poema de Um Bruto

Agnaldo Timóteo

Letra

    Sim,
    Sou como as flores novas,
    Como aroma de brasa,
    Sou a bronca da chuva
    No telhado da casa

    Sim,
    Quem me vê deste jeito
    Aparente de um bruto,
    Não escuta meu peito
    Pra saber o que escuto.

    Se sustento uma espada,
    Dizem logo que ofendo,
    Nunca me perguntaram
    De quantos me defendo.

    Vivo neste jogo selvagem
    De um amor na cangalha,
    E assumindo a coragem
    De um herói sem medalha.

    Se quando eu sinto esse corte
    Que mutila o carinho
    Como um sinal de morte
    Numa cruz no caminho
    Enfeitada de flores amarelas do ipê

    Sinto um horror que se deita
    Truculento em meu peito
    E essa dor que se enfeita
    Agitando meu peito
    Nesse medo bandido de ficar sem você

    "sim
    É essa a sinistra visão de mais não ver.
    É esse sufoco,
    Esse medo enrugado
    Que se faz desgovernado
    A correr por dentro de mim como princípio de morte.
    É esse corte me lanhando aos poucos.

    Por isso, este meu grito aflito.
    Essa falta de troca,
    Essa forma imprecisa
    Que me inferniza.

    Esse nó de arame e fel,
    Toda essa coisa louca
    Que você coloca em minha boca
    Atingindo o céu.

    A mesma boca que te canta o canto mais puro e doce que essa vida faz.
    Boca que xinga, grita e achincalha,
    Que te chama de meu bem, de canalha.
    Grosseira e áspera como o ananás:
    Agressivo por fora; por dentro, gostoso, puro e bom demais.

    Eu sou mais ou menos assim.

    E é por isso que mordo, sofro e berro,
    Com essa brasa que me ferra ao ferro,
    Nesta agonia que me faz sofrer.
    Não é nem medo de morrer qual nada,
    Ou de ter minhas mãos ou pernas decepadas.
    O único medo mesmo que eu tenho é o de te perder, é o de te perder, é o de te perder!"

    Sim quando eu sinto esse corte
    Que mutila o carinho
    Como o sinal de morte
    Numa cruz no caminho
    Enfeitada de flores amarelas do ipê

    Eu sinto um horror que se deita
    Truculento em meu peito
    E essa dor que se enfeita
    Agitando meu peito
    Nesse medo bandido de ficar sem você.


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