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Burlak

Akvarium

Burlak

A kak po Volge khodit odinokij burlak,
Khodit bechevoj nebesnykh ravnin;
Emu gospodin kazhet s neba kulak,
A emu vse smeshno - v kulake kokain;

A vniz po Volge - Zolotaia Orda,
Vverkh po Volge - baryshni gliadiat s berega.
Okh, kozel'skoe zel'e - zhivaia voda;
Otpustite mne krov', golubye snega.
Kak mirila nas zima zhelezom i l'dom,
Zamirila, a sama obernulas' vesnoj.
Kak pojdet taiat' sneg - okh, chto budet potom,
A kak tronetsia led - okh, chto budet so mnoj...

A to li volzhskij razliv, to li vselenskij potop,
To li prosto gospodin zametaet sledy,
Tol'ko mne vse ravno - ia pochti gotov,
Gotov tebe pet' iz-pod temnoj vody;

A iz-pod temnoj vody b'iut kolokola,
Iz-pod drevnej steny - oslepitel'nyj chizh.
Otpusti mne grekhi pervym vzmakhom kryla;
Otpusti mne grekhi - nu pochemu ty molchish'?!
Ty gori, Serafim, zolotye kryla -
Gori, ne stesniajsia, putevodnoj zvezdoj.
Mne vse ravno - ia poterial udila,
I net drugogo puti, tol'ko vmeste s toboj...

Vot tak i vsia nasha zhizn' - to Sekam, a to Pal;
To vo pole kranty, to v golovakh Spas.
Vyshel, chtob idti k nachalu nachal,
No vypil i upal - vot i ves' skaz;

A vorony molchat, a baryshni krichat,
Tambovskoj volchitsej ili svetloj sestroj.
To spasitel'nyj post, to spasitel'nyj iad;
No slyshish', ia stuchu - otkroj!
Tak prichisli nas k angelam, ili sredi zverej,
No tol'ko ne molchi - ia ne mogu bez ognia;
I, gde by ia ni shel, ia vse stuchus' u dverej:
Tak Gospodi moj Bozhe, pomiluj menia!

Burlak

Um burlak solitário caminha pelo Volga,
Caminha sob o céu azul sem fim;
O Senhor lhe mostra um punho do céu,
E ele ri de tudo - no punho, cocaína;

E lá embaixo no Volga - a Horda Dourada,
Lá em cima no Volga - as moças olham da margem.
Oh, erva de bode - água viva;
Deixa eu sangrar, neves azuis.
Como o inverno nos acalmou com ferro e gelo,
Acabou a calma, e ela se virou para a primavera.
Como a neve vai derreter - oh, o que vai acontecer depois,
E quando o gelo tocar - oh, o que vai acontecer comigo...

Se é a cheia do Volga ou o dilúvio universal,
Se é só o Senhor limpando as pegadas,
Só que pra mim tanto faz - estou quase pronto,
Pronto pra cantar pra você debaixo da água escura;

E debaixo da água escura soam os sinos,
De trás da antiga parede - um canário ofuscante.
Perdoa-me os pecados com o primeiro bater de asas;
Perdoa-me os pecados - por que você está em silêncio?!
Queime, Serafim, asas douradas -
Queime, não se acanhe, estrela guia.
Pra mim tanto faz - perdi as rédeas,
E não há outro caminho, só junto com você...

Assim é toda a nossa vida - ora Secas, ora Pal;
Ora no campo, ora nas cabeças do Salvador.
Saí pra ir ao começo do começo,
Mas bebi e caí - e aí está toda a história;

E os corvos estão em silêncio, e as moças gritam,
Com a loba de Tambov ou a irmã iluminada.
É um jejum salvador, é um veneno salvador;
Mas ouça, eu bato - abra!
Assim nos uniram aos anjos, ou entre as feras,
Mas só não fique em silêncio - não consigo viver sem fogo;
E, onde quer que eu vá, bato em todas as portas:
Assim, Senhor meu Deus, tem piedade de mim!

Composição: