Ay, Corazon
Ay, corazón, barrio del alma,
arrabal de los sueños peregrinos,
geografía interior que no se acaba
en el primer recodo del camino.
Ay, corazón, relampagueas
cuando sientes vecina su presencia,
su melena trigal se balancea
al aire superior de las esencias.
Ay, corazón, cómo tristea
una sombra doliente en tu costado
cuando un halo de niebla la rodea
en la infancia casual de algún enfado.
Ay, corazón, cómo anocheces
en el tacto añorado de su talle,
tu alegría habitual se desvanece
con la bruma emigrante de la calle.
Ay, corazón, cómo galopas
cuando la pirotecnia de tu risa,
epicentro de luz, llena tu copa,
tus dominios detrás de la camisa.
Ay, corazón, han capturado
tu sensual vocación de ""pasionero""
con sutiles cadenas te han llevado
a una celda de besos prisionero.
Ay, corazón, cuánto la quieres,
qué montaña de amor desmesurada,
para amarla a esa altura se requiere
que des tu libertad por extraviada.
Ay, corazón, no es razonable
condenar tus fervores al exilio,
amor sin libertad es impensable,
libertad sin amor es un suicidio.
Ai, Coração
Ai, coração, bairro da alma,
subúrbio dos sonhos perdidos,
geografia interna que não acaba
na primeira curva do caminho.
Ai, coração, você brilha
quando sente a presença dela tão perto,
seu cabelo dourado balança
no ar puro das essências.
Ai, coração, como entristece
uma sombra dolorida ao seu lado
quando um halo de névoa a envolve
na infância casual de algum desentendimento.
Ai, coração, como você se apaga
no toque desejado da cintura dela,
sua alegria habitual se desvanece
com a bruma que vem da rua.
Ai, coração, como você galopa
quando a pirotecnia da sua risada,
epicentro de luz, enche seu copo,
seus domínios atrás da camisa.
Ai, coração, te capturaram
sua vocação sensual de "pasionero"
com correntes sutis te levaram
para uma cela de beijos prisioneiro.
Ai, coração, quanto você a ama,
que montanha de amor desmedida,
para amá-la a essa altura é preciso
que você entregue sua liberdade por perdida.
Ai, coração, não é razoável
condenar seus fervores ao exílio,
amor sem liberdade é impensável,
liberdade sem amor é um suicídio.
Composição: Alberto Cortéz