395px

Carta ao Meu Velho

Alberto Cortez

Carta a Mi Viejo

Cualquier dia,a cualquier hora y en cualquier lugar...
Querido viejo:
Perdona lo de "viejo" antes que nada
pero es que así te siento más a mi lado.
Como al mejor de todos mis camaradas
te contaré las cosas que me han pasado.

Te hablaré en esta carta de lo que ha sido
mi vida en estos años que anduve lejos;
las cosas que contigo no he compartido
y que hubiera querido ¡ Querido viejo !

Tú sabes lo que pasa a los veinte años;
te parece que el mundo es una manzana.
Cada día festejas el cumpleaños
arrojando tu vida por la ventana.

Yo gastaba los días a mi manera
sin importarme nada, cómo ni cuándo
y al igual que se extiende una enredadera,
la soledad de a poco, me fue ganando.

Dicen que Dios aprieta, pero no ahoga
y un día de repente llegó a mi puerta,
un duende de ojos claros, en buena hora,
cuando estaba mi playa, casi desierta.

¡ Ah si la vieras viejo, si tú la vieras,
como yo la querrías, estoy seguro !
Más que amante y esposa es la compañera
que aligera la carga de mis apuros.

Con el alma serena, cambian las cosas;
la mente queda libre de condiciones,
se encausan las ideas más ambiciosas
y poco a poco nacen nuevas canciones.

Me las propone el niño que llevo adentro,
cada instante que pasa, día tras día
y a ellas le descargo mis sentimientos,
mi nostalgia, mis ansias, mis rebeldías...

Y estoy contento, viejo, porque consigo
vivir de lo que amo con toda el alma.
¡ Si vieras cuantas noches estás conmigo
cuando escribo una copla de madrugada !

Y bien, aquí la carta ya se termina,
la noche está dejando de ser doncella.
La llevará volando una golondrina
hasta allí donde vives, con las estrellas.

Carta ao Meu Velho

Qualquer dia, a qualquer hora e em qualquer lugar...
Querido velho:
Desculpa o "velho" antes de tudo
mas é que assim te sinto mais perto de mim.
Como o melhor dos meus camaradas
te contarei as coisas que me aconteceram.

Vou te falar nesta carta sobre o que foi
minha vida nesses anos que estive longe;
as coisas que contigo não compartilhei
e que eu teria querido, querido velho!

Você sabe como é aos vinte anos;
parece que o mundo é uma maçã.
A cada dia você comemora o aniversário
jogando sua vida pela janela.

Eu gastava os dias do meu jeito
sem me importar com nada, como nem quando
e assim como uma trepadeira se espalha,
a solidão aos poucos foi me dominando.

Dizem que Deus aperta, mas não sufoca
e um dia, de repente, chegou à minha porta,
um duende de olhos claros, em boa hora,
quando minha praia estava quase deserta.

Ah, se você visse, velho, se você visse,
como eu a amaria, tenho certeza!
Mais que amante e esposa, é a companheira
que alivia o peso das minhas angústias.

Com a alma serena, as coisas mudam;
a mente fica livre de condições,
as ideias mais ambiciosas se organizam
e aos poucos nascem novas canções.

Elas me são propostas pelo menino que levo dentro,
cada instante que passa, dia após dia
e nelas descarrego meus sentimentos,
minha nostalgia, minhas ansias, minhas rebeldias...

E estou feliz, velho, porque consigo
viver do que amo com toda a alma.
Se você visse quantas noites está comigo
quando escrevo uma letra de madrugada!

E bem, aqui a carta já está terminando,
a noite está deixando de ser donzela.
Uma andorinha a levará voando
até onde você vive, com as estrelas.

Composição: Alberto Cortéz