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Com Estas Mãos Modelei Seus Seios

Alberto Cortez

Con Estas Manos Modelé Tus Senos

Con estas manos modelé tus senos
Hice con ellos una tibia copa
Para saciar la sed de tus deseos
Y la roja ansiedad que hay en tu boca.

Con estas manos dibujé en tu cuerpo
Aquel país de extrañas lejanías,
Y un mar enamorado del silencio
Con su misterio de asombradas islas.

Pero estas manos se han quedado solas,
Pero estas manos se han quedado frías,
Hay tanto invierno en ellas que en mis dedos
Son palomas heladas las caricias...

Con estas manos apreté tu cuello
En sueños de ansiedad y de agonía,
Atormentado por oscuros celos
En la alta cerrazón de mis vigilias.

Con estas manos que te sueñan llevo
El árbol seco de mi propia vida,
Sus ramas crujen, pero brota de ellas
La flor de una ternura no marchita.

Pero estas manos se han quedado solas,
Pero estas manos se han quedado frías,
Hay tanto invierno en ellas que en mis dedos
Son palomas heladas las caricias...

Com Estas Mãos Modelei Seus Seios

Com estas mãos modelei seus seios
Fiz com eles uma taça morna
Pra saciar a sede dos seus desejos
E a ansiedade vermelha que há na sua boca.

Com estas mãos desenhei em seu corpo
Aquele país de estranhas distâncias,
E um mar apaixonado pelo silêncio
Com seu mistério de ilhas surpresas.

Mas estas mãos ficaram sozinhas,
Mas estas mãos ficaram frias,
Há tanto inverno nelas que em meus dedos
São pombas geladas as carícias...

Com estas mãos apertei seu pescoço
Em sonhos de ansiedade e agonia,
Aflito por ciúmes obscuros
Na alta escuridão das minhas vigílias.

Com estas mãos que te sonham levo
A árvore seca da minha própria vida,
Suas ramas rangem, mas brota delas
A flor de uma ternura que não murcha.

Mas estas mãos ficaram sozinhas,
Mas estas mãos ficaram frias,
Há tanto inverno nelas que em meus dedos
São pombas geladas as carícias...

Composição: Ricardo Nervi