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Yaco, O Ferreiro

Alberto Cortez

Yaco, El Herrero

"Más amigo del vino que del agua;
miserable de pobre, el pobre Yaco.
No era obrero del yunque y de la fragua,
era peón, que costaba más barato.

Aseguran los viejos que la guerra
le robó la mitad de la cordura;
Yugoslavia quizás fuera su tierra,
pienso yo, por su acento y su figura.

Yaco, el herrero, Yaco,
Yaco, el herrero.

Sin vecinos, ni amigos, ni parientes,
se trajo la trinchera a su destierro.
Personaje de la acera de enfrente
que ni siquiera cruzó para su entierro.

Vagabundo a la fuerza, su camino
se detuvo en mi tierra, grande y rica,
que como él no encuentra su destino
y de tan grande se va haciendo chica.

Yaco, el herrero, Yaco,
Yaco, el herrero.

Fue mal negocio su vida,
como lo fue su partida
para el sepulturero,
que se quedó sin propina.
Yaco, el herrero, Yaco,
Yaco, el herrero.

Quiero sacar su expediente,
para tenerlo presente
al ordenar los recuerdos
de mi pueblo y de mi gente.

¡Pobre infeliz!
No pretenden mis versos
pedir cuentas a Dios
sobre su suerte.
Solamente que sea mi recuerdo
el ausente responso
por su muerte."

Yaco, O Ferreiro

"Mais amigo do vinho do que da água;
miserável e pobre, o pobre Yaco.
Não era trabalhador do bigorna e da forja,
era peão, que custava mais barato.

Os mais velhos dizem que a guerra
lhe roubou metade da sanidade;
Yugoslávia talvez fosse sua terra,
penso eu, pelo seu sotaque e sua figura.

Yaco, o ferreiro, Yaco,
Yaco, o ferreiro.

Sem vizinhos, nem amigos, nem parentes,
trouxe a trincheira para seu desterro.
Personagem da calçada de enfrente
que nem sequer cruzou para seu enterro.

Vagabundo à força, seu caminho
parou na minha terra, grande e rica,
que como ele não encontra seu destino
e de tão grande vai se tornando pequena.

Yaco, o ferreiro, Yaco,
Yaco, o ferreiro.

Foi um mau negócio sua vida,
como foi sua partida
para o coveiro,
que ficou sem gorjeta.
Yaco, o ferreiro, Yaco,
Yaco, o ferreiro.

Quero tirar seu histórico,
para tê-lo presente
ao ordenar as memórias
do meu povo e da minha gente.

Pobre infeliz!
Não pretendo com meus versos
pedir contas a Deus
sobre sua sorte.
Somente que seja minha lembrança
o ausente lamento
por sua morte."

Composição: Alberto Cortéz