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Contrafilo Milonga

Alberto Danza

Milonga de Contrafilo

Señores, voy a abrazar con respeto a esta madera
Para largar campo afuera mi canto en este lugar
No sé si les va a gustar una vez que largue el rollo
Porque no es rosa'o el bollo que he amasa'o en mi existencia
El camino da experiencia al que a deja'o de ser pollo

El miedo lo hace callar al hombre cuando es flojito
Y da pena, el pobrecito, porque nació pa' temblar
Algunos, por arrollar, se convierten en mandones
Y ya se creen que son lionés, que se comen a cualquiera
¡Amalaya quien lo viera! Bostea'o hasta en los garrones

Por eso voy a largar esta milonga campera sin bozal
Que la manera como yo aprendí a cantar

Por ay podrán opinar que soy bruto y desboca'o
Será porque bien planta'o
Les pego en la matadura
Y mientras yo cobro altura
Ellos viven arrastraos

Yo nunca canté escondido
Ni me han visto arrodilla'o
Tal vez medio despilcha'o
Pero siempre bien erguido
En la huella no he querido
Ladearme como un chambón
Ni dirán, ande, va el montón
Como ovejas pa'l cuchillo
Ni cambiarme el calzoncillo
Por los gritos de un mandón

Tal vez me haya refala'o
Pero la taba está echada
No pido perdón ni nada
Porque vengo bien rumbia'o
Aunque soy poco letra'o
Me suebra vista y coraje
Nunca me envolvió el hembraje
Será porque ando alerta'o
Y he visto a muchos cuña'os
A pata en mitad de viaje

Anda el hombre a los tirones tratando de cambiar su suerte
Hasta que por ay la muerte lo lleva a los empujones
De balde son las razones y la plata pa' atajar
Al hoyo van a parar sus tan mentadas grandezas
Y en el cajón solo pesa
La osamenta pa' llevar

Por eso me gusta andar
Sin apuro por la huella
Soñar bajo las estrellas
Con campo sin alambrar
A orillas de algún talar
Hacer fuego con los cardos
Y ensillar unos amargos
Mientras vuela el pensamiento
Apadrinándolo al viento
Como en un galope largo

Esta forma de cantar
No la aprendí entre dotores
Ni entre famosos cantores
A fuerza de recular
Si pa' poder figurar
Hay que volverse novillo
Y vivir echo un ovillo
Detrás de cualquier panzón
Yo seguiré en el montón
Pero sin marcas ni grillos

No sé dónde llegaré
Con este canto pagano
Pero sabrán mis paisanos
Que nunca los traicioné
Y así nomás volveré
Aunque muerto y enterra'o
Porque saldrán de a puñaos los cantores sin amarra
Sembrando con sus guitarras las verdades que he canta'o

Contrafilo Milonga

Senhores, vou abraçar respeitosamente esta madeira
Para espalhar minha música neste lugar
Eu não sei se eles vão gostar quando eu lançar
Porque não é rosa nem o pãozinho que amassei na minha existência
A estrada dá experiência a quem deixou de ser uma galinha

O medo faz um homem calar a boca quando está fraco
E é triste, coitadinho, porque nasceu para tremer
Alguns, por opressores, tornam-se mandões
E eles já acreditam que são de Lyon, que comem qualquer um
Amalaya quem viu! Eu bocejei até nos garrones

É por isso que vou começar esta milonga caipira sem focinho
Foi assim que aprendi a cantar

Por muito, eles podem pensar que sou grosseiro e fora de controle
Será porque bem plantado
Eu os acertei na morte
E enquanto ganho altura
Eles vivem rastejando

Eu nunca cantei escondido
Eles nem me viram ajoelhada
Talvez meio desperdiçado
Mas sempre em pé
Na pegada eu não queria
Me incline como um idiota
Nem vão dizer, vamos lá, a pilha vai
Como ovelha para a faca
Nem troco minha cueca
Pelos gritos de um mandão

Talvez eu tenha refala'o
Mas a taba é lançada
Eu não peço perdão nem nada
Porque eu venho bem rumbia'o
Embora eu não seja muito alfabetizado
Me dá visão e coragem
A feminilidade nunca me envolveu
Será porque estou alerta
E eu tenho visto muitas cunhas
Uma perna no meio da viagem

O homem se masturba tentando mudar sua sorte
Até que a morte o leve a empurrar
Por nada são as razões e o dinheiro para parar
Para o buraco vão sua tão mencionada grandeza
E na gaveta só pesa
O esqueleto para carregar

É por isso que gosto de caminhar
Sem pressa para a pegada
Sonhar sob as estrelas
Com campo sem fio
Nas margens de algum corte
Fazer fogo com cardos
E sele alguns bitters
Enquanto o pensamento voa
Patrociná-lo ao vento
Como em um longo galope

Esse jeito de cantar
Eu não aprendi entre gifters
Não entre cantores famosos
Por força de recuo
Sim para poder aparecer
Você tem que se tornar um touro
E ao vivo eu rolo uma bola
Atrás de qualquer pança
Vou continuar na pilha
Mas sem marcas ou grilos

Não sei para onde irei
Com esta canção pagã
Mas meus compatriotas saberão
Que eu nunca os traí
E então eu vou voltar
Embora morto e enterrado
Porque os cantores sairão de mãos dadas sem amarração
Semeando com seus violões as verdades que eu cantei

Composição: Alberto Danza