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Bairro Sul

Alberto Zitarrosa

Barrio Sur

Gorrión que arrulla un sueño,
tarde que cae sobre los gatos,
humilde luz de altillo, viejo Barrio Sur.
Crepúsculo de vino, patios gastados y dolor,
tenés olor a río, Barrio Sur.

Sitio de mí que nadie ocupa
malvón que brota en un zaguán,
nací de nuevo en cada niño tuyo, Barrio Sur.
Angostos recovecos, rostro pintado en una luna azul,
caminan murgas para siempre amándote
y redoblan para vos.

Barrio del cementerio,
perros perdidos y silencio
por tus faroles amarillos pasan recordándome tu amor
tus niños y tus muertos,
tus tristes yacumenzas,
noche a noche mi propio corazón.

Bairro Sul

Sabiá que embala um sonho,
tarde que cai sobre os gatos,
luz humilde do sótão, velho Bairro Sul.
Crepúsculo de vinho, pátios desgastados e dor,
você tem cheiro de rio, Bairro Sul.

Parte de mim que ninguém ocupa
malva que brota em um corredor,
nasci de novo em cada criança sua, Bairro Sul.
Recantos estreitos, rosto pintado em uma lua azul,
murgas caminham para sempre te amando
e redobram para você.

Bairro do cemitério,
cães perdidos e silêncio
pelas suas lanternas amarelas passam me lembrando do seu amor
tuas crianças e teus mortos,
tuas tristes yacumenzas,
noite após noite meu próprio coração.

Composição: