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Memória Perpétua

Alcalina

Memoria Perpetua

El cuchillo que atravesó mis ojos hizo entumecer mi cerebro.
La sangre que emanó como manantial tiñó mi cuerpo, antes blanco
y frío.
Mis dientes no existen, mi cabeza pelada y con marcas de hojas
de afeitar.
Mi única oreja cuelga de una vena.
Mis pies, quemados en las plantas.
Mis labios, despellejados y sangrantes.
Mi espalda latigada con odio.
Succionado lo que queda de mi rostro.
Mis uñas violetas, flexibles como papel.
Mis órganos genitales fueron violentados.
Mis huellas digitales fueron borradas.
Ya no tengo sombra, sólo tengo memoria, y apenas reflexiono bajo
tierra y sin ataúd.
Tal vez alguien me recuerde

Memória Perpétua

A faca que atravessou meus olhos fez meu cérebro entorpecer.
O sangue que jorrou como uma fonte manchou meu corpo, antes branco
e frio.
Meus dentes não existem, minha cabeça careca e com marcas de lâminas
de barbear.
Minha única orelha pende de uma veia.
Meus pés, queimados nas solas.
Meus lábios, despedaçados e sangrando.
Minhas costas, chicoteadas de ódio.
Sugado o que restou do meu rosto.
Minhas unhas roxas, flexíveis como papel.
Meus órgãos genitais foram violentados.
Minhas impressões digitais foram apagadas.
Não tenho mais sombra, só tenho memória, e mal reflito sob
terra e sem caixão.
Talvez alguém se lembre de mim.

Composição: