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Letra

    Trago a roupa tão larga e tão fora de moda
    A viola afinada, mas tão longe da roda
    A viagem marcada, o errado é a hora
    E se a vida se acaba, sem amor

    Tenho lábios mas onde eu compro um sorriso
    Tanta fé nesse Deus, mas de pão eu preciso
    Toda noite o meu sangue é doado às pragas
    E se a vida se acaba, por tanta dor

    Como gado em mercado, eu tenho meu preço
    Pelo menos a vida, bem sei que mereço
    E se ela termina sem ter um começo
    Pois que é que me salva ou me vira do avesso

    Eu também, como Cristo, já fui açoitado
    Ou então, como Judas, estou perdoado
    Já perdi companhia e ganhei inimigo
    É que eu brinco com a vida, e ela briga comigo

    Penitente ou demente, o que fiz foi tão pouco
    Sou pedinte, indigente, o mais louco dos loucos
    E se a roupa é surrada, é que a vida anda pobre
    E por tantos pecados, não há quem me cobre


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