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Companheira

Alejandro Filio

Compañera

Déjame cerrar tus ojos con mi boca
hasta que se termine la luna de estas horas,
sombra con sombra atados y en secreto
que no hay nada que rompa este silencio.

Déjame urdir con estas manos cielo
y llover sobre el campo desierto de tu cuerpo,
deshojar esta rosa de mi pena
andar de norte a sur para tu estrella.

Déjame idealizarte, que me pierda
que no encuentro otra manera de tenerte.

Deja que camine por los dos la brecha
o encender tu parte, la parte yerta,
tomar el turno solo y cuesta arriba
para llegar los dos hasta la orilla.

Deja, pues, de enloquecer sintiendo nada
por que al ser, eres más de lo que esperaba
y valga solamente el solo intento
de ponerle un final feliz al cuento.

Déjame idealizarte, que me pierda
que no encuentro otra manera de tenerte.
Compañera.

Companheira

Deixa eu fechar teus olhos com minha boca
até que a lua acabe essas horas,
sombra com sombra, atados e em segredo
que não há nada que quebre esse silêncio.

Deixa eu tecer com essas mãos o céu
e chover sobre o campo deserto do teu corpo,
desfolhar essa rosa da minha dor
andar de norte a sul pra tua estrela.

Deixa eu te idealizar, que eu me perca
que não encontro outra maneira de te ter.

Deixa que eu caminhe pela brecha entre nós
o acenda a tua parte, a parte fria,
tomar a vez só e ladeira acima
pra chegarmos juntos até a beira.

Deixa, pois, de enlouquecer sentindo nada
porque ao ser, você é mais do que eu esperava
e valha somente o simples intento
de dar um final feliz à história.

Deixa eu te idealizar, que eu me perca
que não encontro outra maneira de te ter.
Companheira.