Paraíso Terreno
Alex Frechette
Eu não perdoo nada
Quem quer perdão judaico-cristão
Nunca oferece nem uma reparação
A bondade narcísica é rala
Dobrada sobre si mesma em idolatria
Pulsa o pulsar tecnocrata de sofomania
É ruim, é roide
Que eu vou lhe desculpar
Não traga pros meus ouvidos
Seu arrependimentos só pra desopilar
Porque enquanto você sorvia nêsperas
E voava nas alturas do paraíso terreno
Seus tímpanos se fechavam pra não te machucar
E por aqui se ganiam mil ladraduras
Você, a serviço das automações
Quer carta branca em brancas nuvens
Só quer mais das cintilâncias bonitas
No dia em que Bolsonaro foi preso
Eu estava doente
Mas logo fiquei saudável



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