Trabalho sujo

Alex Frechette

Se mata na mata e nas ruas o mote é a morte
Se mata na mata e no RJ o mote é a morte

Como se já não fosse inferno o suficiente
Ainda tem a turba que vibra com a matança
Como se já não fosse inferno o suficiente
Ainda tem a turba que vibra com a matança

Não se sensibilizam pelas mães
O fervor provocado
Com os corpos enfileirados
Os gritos mutados
O importante é prender quem trouxe os corpos
Para que todos vissem
O que deveria ser escondido
O que deveria ser escondido

Se mata na mata e nas ruas o mote é a morte
Se mata na mata e no RJ o mote é a morte

O sangue alheio é o sal dos que vivem
E se infiltra nas comemorações especulativas
Poesia pra eles é necropolítica
Afinal nosso estado é de atroz normalidade
Porque pra eles
Pra eles
Pra eles
Poesia pra eles é necropolítica

Não se sensibilizam pelas mães
O fervor provocado
Com os corpos enfileirados
Os mil gritos mutados
O importante é prender quem nos trouxe os corpos
Para que todos vissem
O que deveria ser escondido
O que deveria ser escondido

Se morreram inocentes
Ossos do ofício
Do ofício de manter o inferno no Rio
Mas a operação foi bem sucedida
O governador já dizia
Demorou anos pra planejar o caos, o desastre e a chacina
O caos, o desastre e a chacina

Cidade maravilhosa em notas pictóricas de pós-lógica
Não tem bossa nova inglória no Vidigal, na Penha ou no Alemão
E no Palácio Guanabara já se comemora a reeleição


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