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Não chame isso de amor

Alex Roeka

Noem 't geen liefde

We kennen elkaar nu al zeven jaar, zeven diepe krassen in de muur.
Achter in de kamer zing je met je hese stem: 'Liefde is het hondje van m'n ziel.'

We zagen elkaar zomaar in 'n straat, waren naar het grote onderweg.
Er was iets dat ons samenhield daar even voor 'n nacht,
daarna niet meer losliet uit z'n klem.

Noem 't geen liefde, alsjeblieft, noem 't wat je wilt, maar noem de liefde
liever niet. De ochtend schiet over het land. Ergens in de rand van het bos
zit de havik stil te wachten of er al een haas of houtduif komt.

Niet meer dan wat woelen in je slaap op de vage beelden van 'n droom.
Maar nu sta je voor de spiegel in je blauwe jurk. Alles lijkt zo eeuwig en zo licht.

Noem 't geen liefde, alsjeblieft, noem 't wat je wilt, maar noem de liefde
liever niet. De boer giet z'n melkbussen vol. Diep in haar hol ligt de vos
met d'r jongen stil te wachten tot rond de kippen straks de schemer valt.

Alsof we in elkaar geboren zijn, twee verloren kinderen van een gril.
Bang kijken we elkander aan, lijken vroeg of laat in elkaar ook dood
te moeten gaan.

Noem 't geen liefde, alsjeblieft, noem 't wat je wilt, maar noem de liefde
liever niet. De wolken trekken traag voorbij. Ginder in de wei staan de paarden
dicht opeen en wachten stil tot straks de wind hen weer over de heuvels jaagt.

Não chame isso de amor

Nós nos conhecemos há sete anos, sete marcas profundas na parede.
Lá no fundo do quarto, você canta com sua voz rouca: 'O amor é o cachorrinho da minha alma.'

Nos encontramos assim, na rua, a caminho do grande.
Havia algo que nos unia ali, mesmo que por uma noite,
depois não conseguimos mais nos soltar de seu aperto.

Não chame isso de amor, por favor, chame do que quiser, mas não chame o amor
melhor não. A manhã se espalha pelo campo. Em algum lugar na borda da floresta
uma ave de rapina espera quieta se já apareceu uma lebre ou uma rolinha.

Não é mais do que um pouco de agitação no seu sono sobre as imagens vagas de um sonho.
Mas agora você está diante do espelho com seu vestido azul. Tudo parece tão eterno e tão leve.

Não chame isso de amor, por favor, chame do que quiser, mas não chame o amor
melhor não. O fazendeiro enche seus baldes de leite. Lá no fundo da toca, a raposa
com seus filhotes espera quieta até que a penumbra caia sobre as galinhas.

Como se fôssemos nascidos um no outro, duas crianças perdidas de um capricho.
Com medo, nos olhamos, parecendo que cedo ou tarde também teremos que morrer
um no outro.

Não chame isso de amor, por favor, chame do que quiser, mas não chame o amor
melhor não. As nuvens passam lentamente. Lá na campina, os cavalos
estão bem juntos e esperam quietos até que o vento os leve novamente sobre as colinas.

Composição: