395px

Fotografias

Alexander Acha

Fotografías

Un azul descalzo en el cielo loco de marzo
De aquel encuentro nuestro
Y tú apoyada en las rodillas
El viento sobre el pelo y tus ojos de gato

Aquí la sombra de tu mano cae
En un horizonte de perros
Que ladra a lo lejos
Tú agarrada al barandal
De una tierna y distraída primavera

Tarde lenta y un poco herida
Mayo ya se ha ido
Un dedo bajo la barbilla
Y los pájaros huyendo a un verde
Donde la ciudad se pierde

Sobre una hoja de lija
Es julio y tú tendida, tú
Sucia de besos y de arena
Buscando mis labios con tus labios en el celo
Del verano

En esta otra estamos juntos
¡Cómo ríes de contento hasta sofocarte!
Yo estrechaba agosto a ti
Bebiendo de tus ojos para no olvidarte

Y otra vez tú entre filas de árboles
Que cosen las colinas de uvas blancas
Estás cansada, fue un día entero de beber el vino
Y detrás un campo que no afocaba

Hojas secas al fin de la calle
Y nuevamente tú
En esta sales mal
Tu cara un poco tensa
Y una carcajada sin pudor ni consistencia

Filoso el aire del domingo en la mañana
Sobre la hierba, y tú
Con lágrimas de escarcha
Y tus mejillas coloradas
Mientras pelas gajos de naranja

¡Quieta ahí!
Y no te muevas
Sonríe un poco
Y ahora date la vuelta

Enero y el aliento evapora las palabras
El Sol descendía, el cielo un mármol rojo
Tú con esa noche encima
Que cavaba nuestro adiós
Y se esfumaba

La fina lluvia salta sobre las aceras
Aburrimiento y tú, tú miras y no ves
Que esto ha terminado y entre manos
No hay más que fotografías

Un azul descalzo en el cielo loco de marzo
De aquel encuentro nuestro
Y tú apoyada en las rodillas
Y tus ojos para siempre en mis ojos

Fotografias

Um azul descalço no céu louco de março
Daquele nosso encontro
E você apoiada nos joelhos
O vento nos cabelos e seus olhos de gato

Aqui a sombra da sua mão cai
Em um horizonte de cães
Latindo ao longe
Você segurando na grade
De uma primavera terna e distraída

Tarde lenta e um pouco ferida
Maio já se foi
Um dedo sob o queixo
E os pássaros fugindo para um verde
Onde a cidade se perde

Sobre uma folha de lixa
É julho e você deitada, você
Suja de beijos e de areia
Procurando meus lábios com seus lábios no calor
Do verão

Nesta outra estamos juntos
Como você ri feliz até sufocar!
Eu abraçava agosto a você
Bebendo de seus olhos para não te esquecer

E de novo você entre fileiras de árvores
Que costuram as colinas de uvas brancas
Você está cansada, foi um dia inteiro bebendo vinho
E atrás um campo que não se afogava

Folhas secas no fim da rua
E de novo você
Desta vez você não sai bem
Seu rosto um pouco tenso
E uma risada sem pudor nem consistência

O ar cortante do domingo de manhã
Sobre a grama, e você
Com lágrimas de geada
E suas bochechas coradas
Enquanto descasca gomos de laranja

Fique aí parada!
E não se mexa
Sorria um pouco
E agora dê meia volta

Janeiro e o hálito evapora as palavras
O Sol descia, o céu um mármore vermelho
Você com aquela noite sobre si
Que cavava nosso adeus
E se esvaía

A fina chuva salta sobre as calçadas
Tédio e você, você olha e não vê
Que isso acabou e entre as mãos
Só restam fotografias

Um azul descalço no céu louco de março
Daquele nosso encontro
E você apoiada nos joelhos
E seus olhos para sempre nos meus olhos