Fotografías
Un azul descalzo en el cielo loco de marzo
De aquel encuentro nuestro
Y tú apoyada en las rodillas
El viento sobre el pelo y tus ojos de gato
Aquí la sombra de tu mano cae
En un horizonte de perros
Que ladra a lo lejos
Tú agarrada al barandal
De una tierna y distraída primavera
Tarde lenta y un poco herida
Mayo ya se ha ido
Un dedo bajo la barbilla
Y los pájaros huyendo a un verde
Donde la ciudad se pierde
Sobre una hoja de lija
Es julio y tú tendida, tú
Sucia de besos y de arena
Buscando mis labios con tus labios en el celo
Del verano
En esta otra estamos juntos
¡Cómo ríes de contento hasta sofocarte!
Yo estrechaba agosto a ti
Bebiendo de tus ojos para no olvidarte
Y otra vez tú entre filas de árboles
Que cosen las colinas de uvas blancas
Estás cansada, fue un día entero de beber el vino
Y detrás un campo que no afocaba
Hojas secas al fin de la calle
Y nuevamente tú
En esta sales mal
Tu cara un poco tensa
Y una carcajada sin pudor ni consistencia
Filoso el aire del domingo en la mañana
Sobre la hierba, y tú
Con lágrimas de escarcha
Y tus mejillas coloradas
Mientras pelas gajos de naranja
¡Quieta ahí!
Y no te muevas
Sonríe un poco
Y ahora date la vuelta
Enero y el aliento evapora las palabras
El Sol descendía, el cielo un mármol rojo
Tú con esa noche encima
Que cavaba nuestro adiós
Y se esfumaba
La fina lluvia salta sobre las aceras
Aburrimiento y tú, tú miras y no ves
Que esto ha terminado y entre manos
No hay más que fotografías
Un azul descalzo en el cielo loco de marzo
De aquel encuentro nuestro
Y tú apoyada en las rodillas
Y tus ojos para siempre en mis ojos
Fotografias
Um azul descalço no céu louco de março
Daquele nosso encontro
E você apoiada nos joelhos
O vento nos cabelos e seus olhos de gato
Aqui a sombra da sua mão cai
Em um horizonte de cães
Latindo ao longe
Você segurando na grade
De uma primavera terna e distraída
Tarde lenta e um pouco ferida
Maio já se foi
Um dedo sob o queixo
E os pássaros fugindo para um verde
Onde a cidade se perde
Sobre uma folha de lixa
É julho e você deitada, você
Suja de beijos e de areia
Procurando meus lábios com seus lábios no calor
Do verão
Nesta outra estamos juntos
Como você ri feliz até sufocar!
Eu abraçava agosto a você
Bebendo de seus olhos para não te esquecer
E de novo você entre fileiras de árvores
Que costuram as colinas de uvas brancas
Você está cansada, foi um dia inteiro bebendo vinho
E atrás um campo que não se afogava
Folhas secas no fim da rua
E de novo você
Desta vez você não sai bem
Seu rosto um pouco tenso
E uma risada sem pudor nem consistência
O ar cortante do domingo de manhã
Sobre a grama, e você
Com lágrimas de geada
E suas bochechas coradas
Enquanto descasca gomos de laranja
Fique aí parada!
E não se mexa
Sorria um pouco
E agora dê meia volta
Janeiro e o hálito evapora as palavras
O Sol descia, o céu um mármore vermelho
Você com aquela noite sobre si
Que cavava nosso adeus
E se esvaía
A fina chuva salta sobre as calçadas
Tédio e você, você olha e não vê
Que isso acabou e entre as mãos
Só restam fotografias
Um azul descalço no céu louco de março
Daquele nosso encontro
E você apoiada nos joelhos
E seus olhos para sempre nos meus olhos