Misérable Expédition
C'est en antihéros notoire
Que je me laissais transporter
Par un de ces mouvants trottoirs
Où il n'est plus besoin de trotter.
C'était l'ennui dominical
Que même le Seigneur regrette
Qui me poussait dans les dédales
De ces endroits où l'on s'arrête.
Et dans ce centre commercial
Où me menait ma triste quête
D'oubli du vide sidéral
De ce jour que l'on dit de fête,
J'avais rangé mes grandes phrases
Sur les ignobles perversions
De ce monde où tout ne se base
Que sur la consommation.
Que maintes oreilles et yeux se penchent et prêtent attention
A ma misérable expédition...
Et j'avançais sans à vrai dire
Me poser beaucoup de questions.
J'évoluais tel un être libre
Parmi les milliers de rayons.
Quand je vis un visage sur lequel j'aurais pu mettre un nom
Une de ces sous-vedettes qui parlent à la télévision.
Que maintes oreilles et yeux se penchent et prêtent attention
A ma misérable expédition...
En est-il des gens célèbres
Comme de toutes les autres engeances ?
Comme le commun des mortels,
Les vedettes s'ennuient le dimanche.
Comme les plus grands anonymes
Les gens connus connaissent donc
L'ennui du repos légitime
Notre Seigneur est juste et bon.
Que maintes oreilles et yeux se penchent et prêtent attention
A ma misérable expédition...
Au lieu de continuer ma route,
Au lieu de continuer ma quête,
Je me mis sans la moindre honte
A dévisager la vedette.
Je me surpris à me surprendre de l'étrange fascination
De voir en os et puis en chair quelqu'un connu de la nation.
Que maintes oreilles et yeux se penchent et prêtent attention
A ma misérable expédition...
Moi qui me voulais à l'écart
De ces étranges sociétés
Où l'on rangeait parmi les stars
Celui qui parle à la télé,
Je fus bien obligé d'admettre que j'étais comme tous ces gens,
Un pauvre antihéros notoire dont la vie ne vaut pas le franc.
Que maintes oreilles et yeux oublient vite la confession
De ma misérable expédition...
Expedição Miserável
É em um anti-herói notório
Que eu me deixava levar
Por uma daquelas calçadas
Onde não é mais preciso andar.
Era o tédio dominical
Que até o Senhor lamenta
Que me empurrava pelos labirintos
Desses lugares onde a gente para.
E nesse shopping center
Onde minha triste busca me levava
Pra esquecer o vazio sideral
Desse dia que dizem ser de festa,
Eu tinha guardado minhas grandes frases
Sobre as ignóbeis perversões
Desse mundo que só se baseia
Na consumação.
Que muitas orelhas e olhos se inclinem e prestem atenção
Na minha expedição miserável...
E eu seguia sem, na verdade,
Me fazer muitas perguntas.
Eu evoluía como um ser livre
Entre os milhares de corredores.
Quando vi um rosto que eu poderia nomear
Uma dessas sub-celebridades que falam na televisão.
Que muitas orelhas e olhos se inclinem e prestem atenção
Na minha expedição miserável...
Será que as pessoas famosas
São como todas as outras criaturas?
Como o comum dos mortais,
As estrelas também se entediam no domingo.
Como os maiores anônimos
As pessoas conhecidas também
Sentem o tédio do descanso legítimo
Nosso Senhor é justo e bom.
Que muitas orelhas e olhos se inclinem e prestem atenção
Na minha expedição miserável...
Em vez de continuar meu caminho,
Em vez de seguir minha busca,
Eu me pus, sem a menor vergonha,
A encarar a celebridade.
Me surpreendi ao me surpreender com a estranha fascinação
De ver em carne e osso alguém conhecido da nação.
Que muitas orelhas e olhos se inclinem e prestem atenção
Na minha expedição miserável...
Eu que queria estar à parte
Dessas estranhas sociedades
Onde se coloca entre as estrelas
Aquele que fala na TV,
Fui obrigado a admitir que eu era como toda essa gente,
Um pobre anti-herói notório cuja vida não vale nada.
Que muitas orelhas e olhos logo esquecem a confissão
Da minha expedição miserável...