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Amargura

Alfredo Le Pera

Amargura

Amargura

Me persigue implacable
su boca que reía,
acecha mis insomnios
ese recuerdo cruel,
mis propios ojos vieron
cómo ella le ofrecía
el beso de sus labios
rojos como un clavel.
Un viento de locura
atravesó mi mente,
deshecho de amargura
yo me quise vengar,
mis manos se crisparon,
mi pecho las contuvo,
su boca que reía
yo no pude matar.

Fue su amor de un día
toda mi fortuna,
conté mi alegría
a los campos y a la luna.
Por quererla tanto,
por confiar en ella,
hoy hay en mi huella
sólo llanto y mi dolor.

Doliente y abatido
mi vieja herida sangra.
Bebamos otro trago
que yo quiero olvidar,
pero estas penas hondas
de amor y desengaño
como las yerbas malas
son duras de arrancar.
Del fondo de mi copa
su imagen me obsesiona,
es como una condena
su risa siempre igual,
coqueta y despiadada
su boca me encadena,
se burla hasta la muerte
la ingrata en el cristal.

Amargura

Amargura

Me persegue implacável
sua boca que ria,
assedia meus insônios
essa lembrança cruel,
meus próprios olhos viram
como ela lhe oferecia
o beijo de seus lábios
vermelhos como um cravo.
Um vento de loucura
atravessou minha mente,
desfeito de amargura
eu quis me vingar,
minhas mãos se crispavam,
meu peito as conteve,
sua boca que ria
eu não consegui matar.

Foi seu amor de um dia
toda a minha fortuna,
contava minha alegria
aos campos e à lua.
Por amá-la tanto,
por confiar nela,
hoje há na minha trilha
só choro e minha dor.

Dolente e abatido
minha velha ferida sangra.
Vamos beber mais um trago
que eu quero esquecer,
mas essas dores profundas
de amor e desengano
como ervas daninhas
são difíceis de arrancar.
Do fundo da minha taça
sua imagem me obsessa,
é como uma condenação
sua risada sempre igual,
coquete e impiedosa
sua boca me encadena,
se zomba até a morte
a ingrata no cristal.

Composição: