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Dez Décimas de Saudações ao Público Argentino

Alfredo Zitarrosa

Diez Décimas de Saludo Al Público Argentino

Allá en mi pago hay un pueblo
Que se llama no-me-olvides;
Quien lo conozca que cuide
Su recuerdo como gema,
Porque hay olvidos que queman
Y hay memorias que engrandecen,
Cosas que no lo parecen

Como el témpano flotante,
Por debajo son gigantes
Sumergidos,que estremecen.
Mi pueblo es un mar sereno
Bajo un cielo de tormenta:

Laten en su vida lenta
Los estrépitos del trueno.
Pudo engendrar en su seno
Las montoneras de otrora
Y cuando llegue la hora,
Mañana,también podrá
Clavar a su voluntad
Mil estrellas en la aurora

No hay cosa más sin apuro
Que un pueblo haciendo la historia
No lo seduce la gloria
Ni se imagina el futuro
Marcha con paso seguro,
Calculando cada paso
Y lo que parece atraso
Suele transformarse pronto
En cosas que para el tonto
Son causa de su fracaso

Mi pueblo no es argentino,
Ni paraguayo,ni austral;
Se llama "pueblo oriental"
Por razón de su destino.
Pero recorre el camino
De sus hermanos amados,
El de tantos humillados,
El de américa morena,
La sangre de cuyas venas
También late en su costado.

Mi pueblo no estuvo ausente
Ni mucho menos de espaldas
A la trágica y amarga
Historia del continente.
Fuimos un balcón al frente
De un inquilinato en ruinas
-El de américa latina
Frustrada en malos amores-,
Cultivando algunas flores
Entre brasil y argentina.

Pero mucho no duraron
Las flores en el balcón,
El rosquero y su ambición,
Imprudente,las cortaron.
Y fueron las mismas manos
Que arruinaron el vergel,
Las que acabaron con él,
Las que hoy muestran,codiciosas,
En vez del ramo de rosas
Unas flores de papel.
No falta el bobalicón
Nostálgico del jardín,
Pero entre todos el ruin
Es el que trajo al ladrón;
Ese no tiene perdón:
Si protegen sus ganancias,
La decencia y la ignorancia
Del pueblo,son sus amores;
No encuentra causas mejores
Para comprarse otra estancia.

Ese sí,no es oriental,
Ni gringo,ni brasilero;
Su pasión es el dinero
Porque es multinacional.
Mentiroso universal
Desde que vino a hernandarias,
Piensa en sus cuentas bancarias
Ponderando a los poetas
Que hacen con torpes recetas
Canciones estrafalarias.

Así pues,no habrá camino
Que no recorramos juntos.
Tratamos el mismo asunto
Orientales y argentinos,
Ecuatorianos, fueguinos,
Venezolanos, cuzqueños;
Blancos,negros y trigueños
Forjados en el trabajo,
Nacimos de un mismo gajo
Del árbol de nuestros sueños.

Y ahora reciban,señores,
Un saludo fraternal;
Dice mi pueblo oriental:
Ya vendrán tiempos mejores.
Cifra de nuestros amores
Poncho patria en el espanto
De mi pueblo y sus quebrantos
No les puedo conversar,
Solo les quise entregar
Su corazón con mi canto.

Dez Décimas de Saudações ao Público Argentino

Lá no meu canto tem uma cidade
Que se chama não-me-esquece;
Quem a conhecer, que cuide
De sua lembrança como uma joia,
Porque há esquecimentos que queimam
E há memórias que engrandecem,
Coisas que não parecem

Como o iceberg flutuante,
Por baixo são gigantes
Submersos, que estremecem.
Minha cidade é um mar sereno
Sob um céu de tempestade:

Batendo em sua vida lenta
Os estrondos do trovão.
Pôde gerar em seu seio
As montoneras de outrora
E quando chegar a hora,
Amanhã, também poderá
Cravar à sua vontade
Mil estrelas na aurora.

Não há nada mais sem pressa
Que um povo fazendo história;
Não se seduz pela glória
Nem imagina o futuro.
Caminha com passo seguro,
Calculando cada passo
E o que parece atraso
Costuma se transformar logo
Em coisas que para o tonto
São causa de seu fracasso.

Meu povo não é argentino,
Nem paraguaio, nem austral;
Se chama "povo oriental"
Por razão de seu destino.
Mas percorre o caminho
De seus irmãos amados,
O de tantos humilhados,
O da américa morena,
O sangue de cujas veias
Também pulsa em seu lado.

Meu povo não esteve ausente
Nem muito menos de costas
Para a trágica e amarga
História do continente.
Fomos uma varanda à frente
De um inquilinato em ruínas
- O da américa latina
Frustrada em maus amores -,
Cultivando algumas flores
Entre o Brasil e a Argentina.

Mas não duraram muito
As flores na varanda,
O rosqueiro e sua ambição,
Imprudente, as cortaram.
E foram as mesmas mãos
Que arruinaram o pomar,
As que acabaram com ele,
As que hoje mostram, gananciosas,
Em vez do ramo de rosas
Umas flores de papel.
Não falta o bobalhão
Nostálgico do jardim,
Mas entre todos o vilão
É quem trouxe o ladrão;
Esse não tem perdão:
Se protegem seus ganhos,
A decência e a ignorância
Do povo, são seus amores;
Não encontra causas melhores
Para comprar outra propriedade.

Esse sim, não é oriental,
Nem gringo, nem brasileiro;
Sua paixão é o dinheiro
Porque é multinacional.
Mentiroso universal
Desde que veio a Hernandarias,
Pensa em suas contas bancárias
Ponderando os poetas
Que fazem com receitas toscas
Canções estrambóticas.

Assim, não haverá caminho
Que não percorramos juntos.
Tratamos do mesmo assunto
Orientais e argentinos,
Equatorianos, foiguinos,
Venezuelanos, cuzqueños;
Brancos, negros e trigueños
Forjados no trabalho,
Nascemos de um mesmo galho
Do árvore de nossos sonhos.

E agora recebam, senhores,
Uma saudação fraternal;
Diz meu povo oriental:
Já virão tempos melhores.
Cifra de nossos amores
Poncho pátria no espanto
De meu povo e seus quebrantos
Não posso conversar,
Só quis entregar
Seu coração com meu canto.

Composição: Alfredo Zitarrosa