Yo Sé Quien Soy
Caña de azúcar, caña de azúcar,
¿por qué no endulzas el cañaveral?
Amargo mar.
Las hojas secas, las hojas secas,
Las hojas secas del cañaveral
Ardiendo están.
Machete hermano, las cañas negras,
Las cañas negras tendrás que voltear.
Hay que cortar.
Todo picado, negro y barcino
Sudando a chorros como un animal.
Yo sé quién soy.
Me cae la sombra desde el sombrero,
Me cae la sombra como un antifaz.
Yo sé quién soy.
Ay, los riñones que se me parten,
Que se me parten por menos de un real.
Hay que cortar.
Caña de azúcar, caña de azúcar,
¿por qué no endulzas el cañaveral?
Amargo mar.
Machete hermano, mañana al alba
Saldré temprano hacia el cañaveral.
Yo sé quién soy.
Y si no vuelvo, caña de azúcar,
Machete en mano yo sé dónde ir.
Mirá que sí.
Eu Sei Quem Sou
Cana-de-açúcar, cana-de-açúcar,
por que não adoças o canavial?
Mar amargo.
As folhas secas, as folhas secas,
as folhas secas do canavial
estão queimando.
Facão, irmão, as canas pretas,
as canas pretas você vai ter que virar.
Tem que cortar.
Tudo picado, negro e suado
sudando em bicas como um animal.
Eu sei quem sou.
A sombra me cai do chapéu,
a sombra me cai como uma máscara.
Eu sei quem sou.
Ai, os rins que estão se partindo,
que estão se partindo por menos de um real.
Tem que cortar.
Cana-de-açúcar, cana-de-açúcar,
por que não adoças o canavial?
Mar amargo.
Facão, irmão, amanhã ao amanhecer
sairei cedo rumo ao canavial.
Eu sei quem sou.
E se eu não voltar, cana-de-açúcar,
facão na mão eu sei pra onde ir.
Olha que sim.
Composição: Alfredo Zitarrosa / Eliseo Salvador Porta