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Chamarrita dos Milicos

Alfredo Zitarrosa

Chamarrita de los milicos

(Chamarrita)

Los boliches del Cerrito
no son para los ricos;
si alguno llega a entrar,
difícil que haya lugar.
Allí cerca hay un cuartel
con cañón y coronel.

Chamarrita cuartelera,
no te olvides que hay gente afuera.

La otra noche en una farra,
un milico con guitarra,
mirándolo al patrón
le cantaba esta canción:
"aunque salga a hacer mandados,
un milico es un soldado".

Chamarrita de los milicos,
no te olvides que no son ricos.

Los boliches del Cerrito
están llenos de milicos
con ropa militar
y otros de particular:
una cosa es una cosa
y otra cosa es otra cosa.

Chamarrita del miliciano,
los milicos son tus hermanos.*

Si se forma algún merengue,
el cuartel de los Blandengues
se queda donde está
-cada cosa en su lugar-;
los milicos no son bobos,
aunque sirvan para todo.

Chamarrita de los milicos,
no te olvides que no son ricos.

Los boliches del Cerrito
están llenos de milicos,
y el milico cantor
les entona esta canción:
"Cuando pasa el Presidente,
los milicos ya no son gente." **

Chamarrita cuartelera,
no te olvides que hay gente afuera,
cuando cantes pa' los milicos,
no te olvides que no son ricos,
y el orgullo que no te sobre,
no te olvides que hay otros pobres.

* En las versiones posteriores, en lugar de los versos que dicen "Chamarrita del miliciano, / los hermanos.", repite "Chamarrita cuartelera, / no te olvides que hay gente afuera".
** Por los versos "Cuando pasa el Presidente, / los milicos ya no son gente." en la versión del disco Primer Festival Internacional de la Canción Popular, dice "Hay milicos de los buenos / como los milicos chilenos", y en la que aparece en Textos políticos (2004), tomada de una actuación en vivo de 1977, canta "Hay milicos y milicos / de los grande' y de los chicos" y, además agrega una estrofa completa antes de la final: "Hay milicos con conciencia, / milicos que no piensan / y algunos que yo sé / creen que el pueblo no los ve. / Hay milicos como hormigas / pero todos no son Artigas".

Chamarrita dos Milicos

(Chamarrita)

Os botecos do Cerrito
não são pra quem é rico;
se alguém chega a entrar,
difícil vai ser achar lugar.
Ali perto tem um quartel
com canhão e coronel.

Chamarrita do quartel,
não esquece que tem gente lá fora.

Na outra noite numa festa,
um milico com guitarra,
olhando pro patrão
cantava essa canção:
"mesmo que saia pra fazer compras,
um milico é um soldado".

Chamarrita dos milicos,
não esquece que não são ricos.

Os botecos do Cerrito
estão cheios de milicos
com roupa militar
e outros de civil:
uma coisa é uma coisa
e outra coisa é outra coisa.

Chamarrita do miliciano,
os milicos são teus irmãos.*

Se rolar algum merengue,
o quartel dos Blandengues
fica onde tá -
cada coisa em seu lugar-;
os milicos não são bobos,
mesmo que sirvam pra tudo.

Chamarrita dos milicos,
não esquece que não são ricos.

Os botecos do Cerrito
estão cheios de milicos,
e o milico cantor
entoa essa canção:
"Quando passa o Presidente,
os milicos já não são gente." **

Chamarrita do quartel,
não esquece que tem gente lá fora,
quando canta pros milicos,
não esquece que não são ricos,
e o orgulho que não te sobre,
não esquece que tem outros pobres.

* Nas versões posteriores, em vez dos versos que dizem "Chamarrita do miliciano, / os irmãos.", repete "Chamarrita do quartel, / não esquece que tem gente lá fora".
** Pelos versos "Quando passa o Presidente, / os milicos já não são gente." na versão do disco Primeiro Festival Internacional da Canção Popular, diz "Tem milicos bons / como os milicos chilenos", e na que aparece em Textos políticos (2004), tirada de uma apresentação ao vivo de 1977, canta "Tem milicos e milicos / dos grandes e dos pequenos" e, além disso, acrescenta uma estrofe completa antes da final: "Tem milicos com consciência, / milicos que não pensam / e alguns que eu sei / acreditam que o povo não os vê. / Tem milicos como formigas / mas nem todos são Artigas."

Composição: Alfredo Zitarrosa