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A História de João Fiel

Alfredo Zitarrosa

Historia de Juan Fiel

(Milonga)

Se vino de Río Grande,
me imagino por qué causa;
como de acero, de frío,
derecho como una lanza,
y en un portugués pausado,
musical como gotera,
decía: Eu sou eu, João Fiel,
y toda su historia era.

Cuando las guerras civiles,
se enganchó con el gobierno
y una cinta colorada
se destiñó en su sombrero.
Nunca se quejó por nada,
entre el polvo, bajo lluvia,
a pie o a caballo; muerto
de hambre, de sed, de penurias.

Pero, frente al enemigo
era una terrible máquina
de herir y de despenar,
con carabina o con lanza;
pero, frente al enemigo,
aunque no entendía nada;
y qué podía entender,
o mataba o lo mataban.

Vuelto a la ley de la selva
su facón -la refalosa-
tocó tras muchos combates,
y esto fue casi una norma,
y esto, aunque lo callen muchos,
en los dos bandos fue ley
que, en esta carnicería,
no estaba solo Juan Fiel.

Yo no sé si un documento
o en algún parte de guerra,
vivo o muerto, se le asigna
realidad a su existencia,
pero Juan Fiel y su sombra
es la realidad secreta
de tanta milonga heroica,
su fondo de asco y vergüenza.

Donde la muerte sembró
su agricultura siniestra,
Juan Fiel, la tierra purpúrea,
que pisaste, es esta tierra;
donde la muerte sembró
su agricultura siniestra,
Juan Fiel, la tierra purpúrea,
que pisaste, es esta tierra.

Juan Fiel, la tierra purpúrea,
que pisaste, es esta tierra.

Coro
Es esta tierra...

A História de João Fiel

(Milonga)

Ele veio de Rio Grande,
imagino o porquê;
como de aço, de frio,
direto como uma lança,
e em um português pausado,
musical como goteira,
dizia: Eu sou eu, João Fiel,
e toda sua história era.

Quando as guerras civis,
se enganchou com o governo
e uma fita vermelha
se desbotou em seu chapéu.
Nunca se queixou de nada,
entre a poeira, sob a chuva,
a pé ou a cavalo; morto
de fome, de sede, de penúria.

Mas, frente ao inimigo
era uma máquina terrível
de ferir e de matar,
com carabina ou com lança;
mas, frente ao inimigo,
embora não entendesse nada;
e o que poderia entender,
ou matava ou o matavam.

De volta à lei da selva
seu facão -a refalosa-
tocou após muitos combates,
e isso foi quase uma norma,
e isso, embora muitos calem,
em ambos os lados foi lei
que, nesta carnificina,
não estava só João Fiel.

Eu não sei se um documento
ou em algum boletim de guerra,
vivo ou morto, se lhe atribui
realidade à sua existência,
más João Fiel e sua sombra
é a realidade secreta
de tanta milonga heroica,
sua essência de nojo e vergonha.

Onde a morte semeou
sua agricultura sinistra,
João Fiel, a terra púrpura,
que pisaste, é esta terra;
donde a morte semeou
sua agricultura sinistra,
João Fiel, a terra púrpura,
que pisaste, é esta terra.

João Fiel, a terra púrpura,
que pisaste, é esta terra.

Coro
É esta terra...

Composição: Washington Benavides, Carlos Benavides