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A lei é uma teia de aranha

Alfredo Zitarrosa

La ley es tela de araña

(Milonga)

Siempre había oído mentar
que ante la ley era yo,
igual a todo mortal.
Pero hay su dificultad
en cuanto a su ejecución.

Roba un gaucho unas espuelas,
o quitó algún mancarrón;
lo prenden, me lo enchalecan,
y de malo y salteador,
lo tratan y hasta el presidio
lo mandan con calzador.

Vamos pues a un señorón:
Tiene una casualidad;
ya se ve, se remedió,
un descuido
que a cualquiera le sucede,
sí señor.

Al principio mucha bulla,
embargos, causa, prisión;

van y vienen, van y vienen,
secretos, admiración.
¿Qué declara? Que es mentira,
que él es un hombre de honor.
¿Y la mosca? No se sabe,
el Estado la perdió;
el preso sale a la calle
y se acabó la función.

Y esto se llama igualdad,
¡la perra que los tiró!
Porque siempre oí mentar
que ante la ley era yo,
igual a todo mortal.
Pero hay su dificultad
en cuanto a su ejecución.

A lei é uma teia de aranha

(Milonga)

Sempre ouvi dizer
que diante da lei eu sou,
igual a qualquer mortal.
Mas tem sua dificuldade
quando se trata de execução.

Um gaúcho rouba umas esporas,
ou tira algum cavalo;
prendem ele, me enchem de problemas,
e de bandido e ladrão,
tratam e até mandam pro presídio
com um empurrão.

Vamos então a um grandão:
Tem uma coincidência;
já se vê, se resolveu,
um descuido
que acontece com qualquer um,
sim, senhor.

No começo muita confusão,
embargos, processo, prisão;

vão e vêm, vão e vêm,
segredos, admiração.
O que ele declara? Que é mentira,
que ele é um homem de honra.
E a mosca? Não se sabe,
o Estado a perdeu;
o preso sai pra rua
e acabou a encenação.

E isso se chama igualdade,
a cadela que os jogou!
Porque sempre ouvi dizer
que diante da lei eu sou,
igual a qualquer mortal.
Mas tem sua dificuldade
quando se trata de execução.

Composição: Alfredo Zitarrosa / Bartolomé Hidalgo