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Milonga do Desgosto

Alfredo Zitarrosa

Milonga del desdichado

(Milonga)

Yo sé que existe el camino
ése que no conocí,
donde me están esperando
rancho, mujer y gurí.

Caminito con su arena,
paraíso y bienteví,
para caminarlo al paso,
para intimarlo feliz.

Con su tosca sonrosada
de cosas de macachín
y tijeretas que cortan
los crespos desde el (inteligible)
Yo sé que existe el camino
ése que no conocí...

Ya blanqueando la melena,
la barba tirando a gris,
conocido en cien parajes
y él conocedor de mil.

Pasa junto a la lechuza
del callejón infeliz,
se descubre a un camposanto,
blanquito como un jazmín.

Arma un toro. Al encenderlo
con yesca de viborí,
saluda a gente de carro,
un hombre y un chiquilín.

Y se dice, convencido,
yo podría andar así,
porque sólo es desdichado
el que pudo presentir
que otra vida lo esperaba
y la perdió por ahí.

Yo sé que existe un camino
ése que no conocí,
donde me están esperando
rancho, mujer y gurí.

Milonga do Desgosto

(Milonga)

Eu sei que existe um caminho
aquele que não conheci,
donde estão me esperando
rancho, mulher e gurizinho.

Caminho com sua areia,
paraíso e bentevi,
para andar devagarinho,
para me deixar feliz.

Com sua tosca rosada
de coisas de macachín
e tesouras que cortam
o crespo desde o (inteligível)
Eu sei que existe um caminho
aquele que não conheci...

Já clareando a juba,
a barba ficando grisalha,
conhecido em cem lugares
e ele conhecedor de mil.

Passa junto da coruja
do beco infeliz,
se depara com um cemitério,
branquíssimo como um jasmim.

Arma um touro. Ao acendê-lo
com isca de viborí,
saúda a gente do carro,
um homem e um menininho.

E se diz, convencido,
eu poderia andar assim,
porque só é desgraçado
aquele que pôde pressentir
que outra vida o esperava
e a perdeu por aí.

Eu sei que existe um caminho
aquele que não conheci,
donde estão me esperando
rancho, mulher e gurizinho.

Composição: Washington Benavides, Eduardo Larbanois