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Terrinha Pobre

Alfredo Zitarrosa

Tierrita poca

(Valseado)

Tierrita pobre y sufrida
juntos nos fuimos gastando,
el mismo surco a los dos nos fue quemando.

La pobreza trae yuyos,
me fui enyuyando,
abrojales y espinas me fuiste dando.

Te escurriste de a poco
por la bajada,
recostándote al fresco de la cañada.

Por esa misma cuesta
marchó mi vida,
y mis años perdidos son tus heridas.

Tierrita pobre y poca
te fui matando,
a fuerza de sembrarte y sacarte tanto.

Sos como mi patrona,
la compañera,
que pagó con su vida lo que nos diera.

Tierrita pobre y linda
por orientala,
humilde, arisca y dulce, como tus talas.

Te escurriste de a poco
por la bajada,
apretándote al fresco de la cañada.

Por esa misma cuesta
marchó mi vida,
y mis años perdidos son tus heridas.

Tierrita pobre y linda
por orientala,
humilde, arisca y dulce, como tus talas.

Terrinha Pobre

(Valseado)

Terrinha pobre e sofrida
juntos fomos nos desgastando,
o mesmo sulco a nós dois foi queimando.

A pobreza traz ervas,
me fui enredando,
matagal e espinhos você foi me dando.

Você foi se esgueirando aos poucos
pela descida,
se encostando ao fresco da encosta.

Por essa mesma ladeira
minha vida passou,
e meus anos perdidos são suas feridas.

Terrinha pobre e pouca
te fui matando,
a força de te plantar e te tirar tanto.

Você é como minha patroa,
a companheira,
que pagou com sua vida o que nos deu.

Terrinha pobre e linda
por orientala,
humilde, arisca e doce, como suas árvores.

Você foi se esgueirando aos poucos
pela descida,
apertando-se ao fresco da encosta.

Por essa mesma ladeira
minha vida passou,
e meus anos perdidos são suas feridas.

Terrinha pobre e linda
por orientala,
humilde, arisca e doce, como suas árvores.

Composição: Alfredo Zitarrosa / Luis Pedro Bonavita