Krasnoe na chernom
Shag za shagom, bosikom po vode,
Vremena, chto otpushcheny nam,
Solntsem v prazdnik, sol'iu v bede
Dushi rezali napopolam.
Po oshibke? Konechno, net!
Nagrazhdaiut serdtsami ptits,
Tekh, kto pomnit dorogu naverkh,
I stremitsia brositsia vniz.
Nas veli povodyri-oblaka,
Za stupen'iu - stupen', kak nad propast'iu most,
Poroiu nas shvyrialo na dno,
Poroj podnimalo do samykh zvezd.
Krasnoe na chernom!
Shag za shagom, sam chert ne brat,
Solntsu vremia, Lune chasy,
Slovno v ottepel' snegopad,
Po zemle prokhodili my.
Nas velichali chernoj chumoj,
Nechistoj siloj chestili nas,
Kogda my shli, kak po peredovoj,
Pod pritselom pristal'nykh glaz.
Bud' chto budet! Chto bylo, EST''!
Smekh da slezy, a chem eshche zhit'?
I esli pesniu ne suzhdeno dopet',
Tak khotia by uspet' slozhit'.
Krasnoe na chernom!
A na Kreste ne spekaetsia krov',
Gvozdi tak i ne smogli zarzhavet',
I kak ehpilog - vse ta zhe liubov',
A kak prolog - vse ta zhe smert'.
Mozhet byt', ehto tol'ko moj bred,
Mozhet byt', zhizn' ne tak khorosha,
Mozhet byt', ia ne vyjdu na svet,
No ia letal, kogda pela dusha,
I v grudi khokhotali kostry,
I neslis' k nebesam po raduge slez.
Kak smiren'e - glaza Zaratustry,
Kak poshchechina - Khristos!
Krasnoe na chernom!
Krasnoe na chernom!
Den' vstaet, smotri, kak piatitsia noch'.
Krasnoe na chernom!
Zvezdy, proch'!
Krasnoe na chernom!
Na Kreste ne spekaetsia krov'.
Krasnoe na chernom!
I ehpilogom - liubov'.
Krasnoe na chernom!
Vermelho no Preto
Passo a passo, descalço na água,
Tempos que nos foram dados,
Sol no feriado, sal na dor
Almas cortadas ao meio.
Por engano? Claro que não!
Nos presenteiam com corações de pássaros,
Aqueles que lembram o caminho pra cima,
E se esforçam pra se jogar pra baixo.
Nos guiam os pastores-nuvens,
Degrau a degrau - como sobre um abismo, uma ponte,
Às vezes nos jogava no fundo,
Às vezes nos levantava até as estrelas.
Vermelho no preto!
Passo a passo, o próprio diabo não leva,
Tempo pro sol, horas pra lua,
Como na primavera, nevasca,
Pela terra nós passamos.
Nos exaltavam com a peste negra,
Com força impura nos honravam,
Quando caminhávamos, como na linha de frente,
Sob o olhar atento dos olhos de patrulha.
Seja o que for! O que foi, É!
Risos e lágrimas, e como viver mais?
E se a canção não for pra ser cantada,
Que ao menos eu consiga compor.
Vermelho no preto!
E na cruz não se coagula o sangue,
Os cravos não conseguiram enferrujar,
E como epílogo - tudo o mesmo amor,
E como prólogo - tudo a mesma morte.
Pode ser que isso seja só minha loucura,
Pode ser que a vida não seja tão boa,
Pode ser que eu não saia pra ver a luz,
Mas eu voei quando a alma cantava,
E no peito ardiam fogueiras,
E subíamos aos céus pela ponte de lágrimas.
Como a humildade - os olhos de Zaratustra,
Como um tapa - Cristo!
Vermelho no preto!
Vermelho no preto!
O dia nasce, veja como a noite se despede.
Vermelho no preto!
Estrelas, fora!
Vermelho no preto!
Na cruz não se coagula o sangue.
Vermelho no preto!
E como epílogo - amor.
Vermelho no preto!