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Estrela Ferida

Alisa

Sterkh

Gde razorvana sviaz' mezhdu solntsem i ptitsej rukoj obez'iany,
Gde rassypany zvezdy, zemlianika da kosti po polianam,
Gde tumany, kak il, propoveduiut mkham otkroveniia dna,
Gde khula, kak molitva, - tam idu ia.

Gde derev'ia vpletaiutsia v letopis' slov otgoloskom nachala,
Gde lesnoj chasoslov zashifrovan ustami pozharov,
Gde bol'shaia doroga, chernaia noch' da likhie dela,
Gde blestiat za ikonoj nozhi, - tam idu ia

Gde rassvety kupaiutsia v kolodtsakh dvorov da v prostuzhennykh luzhakh
Gde v griazi obruchilas' s vesennim dozhdem stuzha,
Gde glotok, kak nagrada za prozhityj den' noch'iu bez sna,
Gde propity kresty, - tam idu ia.

Gde nadezhda na solntse taitsia v dremuchikh napevakh,
Gde po molniiam-spitsam tantsuet groza-koroleva,
Gde Luna prisosalas' k dushe, slovno p'iavka-zmeia,
Gde puskaiut po krugu liubov', - tam idu ia.

Gde Vostok napoil molokom kobylits kochevnika-vetra,
Gde po dorogam v ostrog po ehtapu polzut kilometry,
Gde v griazi po koleno da po gorlo v krovi ostyvaet zemlia,
Gde raspiat'e pod sapogom, - tam idu ia.

Gde molchan'e podobno topotu tabuna, a pod kopytami - volia,
Gde zakat vysekaet pozolochennyj most mezhdu nebom i bol'iu,
Gde proroki bespechny i legkoverny, kak zerkala,
Gde sortir pochitaiut za khram, - tam idu ia.

Ia podnimaiu glaza, ia smotriu naverkh.
Moia pesnia - ranennyj sterkh.

Ia podnimaiu glaza...

Estrela Ferida

Onde a ligação se rompe entre o sol e o pássaro com a mão de macaco,
Onde as estrelas estão espalhadas, morango até os ossos pelos campos,
Onde neblinas, como lama, pregam a revelação do fundo,
Onde a maldição, como uma oração, - lá vou eu.

Onde as árvores se entrelaçam na crônica das palavras do eco do começo,
Onde o calendário da floresta está codificado pelos lábios dos incêndios,
Onde a grande estrada, a noite negra e as más ações,
Onde brilham facas atrás do ícone, - lá vou eu.

Onde os amanheceres se banham nos poços dos quintais e nas poças frias,
Onde na lama se enredou com a chuva da primavera a nevasca,
Onde um gole, como recompensa por um dia vivido, é a noite sem sono,
Onde cruzes são consumidas, - lá vou eu.

Onde a esperança no sol se esconde em canções sonolentas,
Onde a tempestade-rainha dança nas lanças relampejantes,
Onde a Lua se fixou na alma, como uma sanguessuga,
Onde o amor é lançado em círculos, - lá vou eu.

Onde o Oriente se encheu de leite da égua do nômade-vento,
Onde pelas estradas na fortaleza, por etapas, rastejam quilômetros,
Onde a terra se afunda na lama até os joelhos e na sangue até a garganta,
Onde a crucificação sob a bota, - lá vou eu.

Onde o silêncio é como o pisar de um rebanho, e sob os cascos - a liberdade,
Onde o pôr do sol esculpe uma ponte dourada entre o céu e a dor,
Onde os profetas são desprotegidos e crédulos, como espelhos,
Onde o banheiro é considerado um templo, - lá vou eu.

Eu levanto os olhos, eu olho para cima.
Minha canção - a estrela ferida.

Eu levanto os olhos...

Composição: