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Bastões

Alix Olson

Sticks

"Welcome to the stick world,"
mama whispers to her newborn baby girl.
She admires the little toes, wriggling
like plump pink ballerinas,
caresses the round belly,
places her palm under the fat behind,
envelops the chunky thighs.
She strokes the tiny flat breasts.
the Baby girl sighs
and mama begins her stick world lesson,
hushed and intent:

"We stick baby boys' lips on our nipples-
to relieve them,
stick big boys inside our lips-
to relieve them,
suck until we swallow their stickiness.
We tell our sons 'only sticks and stones
will break their bones,'
then call each other bitch, knowing it sticks
more than hurled knuckles ever could.
We are ignored when our butts stick out,
admired when our chests stick out.
We chant 'stick together, stick together', until
size six bitch walks by-
'sick', we whisper, menacingly, to each other,
'Stick', we think, admiringly, to ourselves.

We smoke cancer sticks, chew on
spearmint sticks, chomp on
carrot sticks, celery sticks.
We crave stick-out collarbones, ribs-
When we cave in, stomachs sticking out,
we stick our fingers down our throats.
Fingernails caked underneath with years of
lipsticks, eyebrow sticks, sticks to cover up
red spots, white spots, black spots.
As we stick to the advice in magazines-
page one: waif, page two: 'be you', they croon
page three: 'I like a good listener',
writes Joe from Rochester.
So we smile and nod, sticky sweet.
And stick jewel after jewel in our ear, so we
swish and sway pleasantly when we turn our heads
to hear what they have to say.
We stick on eyelashes,
lower our eyes in their direction-
suggestive eyes, bedroom eyes, 'she wanted it' eyes.
So they stick it in, stick it out-
When we protest,
we are stuck up, a stick in the mud.

We stick our fingers when we sew up
our children's ripped jeans,
our husbands' ripped egos.
We pat stick-it notes on the fridge,
reminding our sons of baseball practice,
reminding our daughters to
stick to their diets.
We ooo and aahh over Suzy's stick figure scene,
the last in a series of self-portraits.
And if we are the kind, honey,
who like to stick up into each other,
we stick out-- warped Eves.
And even with our combat boots we crumble like pick-up
sticks sometimes, away from each other, and crooked."

Mama wipes her eyes, mascara marring
her Oil of Olay face.
She lifts her daughter's mouth to her nipple,
rubs the padded back,
peers into the clear eyes-
so satisfied, belly full.
"'I don't want you sticking flowers
on my grave, baby girl,'"
mama says,
'with the weight of the world
on your stick shoulders.
Crying,
and not ever knowing why.'"

Bastões

"Bem-vinda ao mundo dos bastões,"
mama sussurra para sua recém-nascida.
Ela admira os dedinhos, se contorcendo
como gordinhas bailarinas cor-de-rosa,
acaricia a barriguinha redonda,
coloca a palma sob o bumbum gordinho,
envolve as coxas rechonchudas.
Ela acaricia os peitinhos pequenos.
a menininha suspira
e a mama começa sua lição do mundo dos bastões,
calada e atenta:

"Colamos os lábios dos meninos em nossos mamilos -
para aliviá-los,
colamos os meninos grandes dentro de nossos lábios -
para aliviá-los,
sugamos até engolir a pegajosidade deles.
Dizemos aos nossos filhos que 'apenas bastões e pedras
quebrarão seus ossos,'
depois nos chamamos de vadias, sabendo que isso gruda
mais do que socos poderiam.
Somos ignoradas quando nossos bumbuns se destacam,
admiradas quando nossos peitos se destacam.
Cantamos 'grude juntas, grude juntas', até
a vadia tamanho seis passar -
'nojento', sussurramos, ameaçadoramente, uma para a outra,
'Bastão', pensamos, admirativamente, para nós mesmas.

Fumamos bastões de câncer, mastigamos
bastões de hortelã, mordemos
bastões de cenoura, bastões de aipo.
Desejamos clavículas salientes, costelas -
Quando nos encolhemos, barrigas para fora,
colocamos nossos dedos na garganta.
Unhas cheias de anos de
lápis labiais, bastões de sobrancelha, bastões para cobrir
pontos vermelhos, pontos brancos, pontos pretos.
Enquanto seguimos os conselhos das revistas -
página um: magra, página dois: 'seja você', elas cantam
página três: 'eu gosto de quem escuta bem',
escreve Joe de Rochester.
Então sorrimos e acenamos, docemente pegajosas.
E colocamos joia após joia em nossos ouvidos, para que
balancemos agradavelmente quando viramos a cabeça
para ouvir o que eles têm a dizer.
Colamos cílios postiços,
baixamos os olhos na direção deles -
olhos sugestivos, olhos de quarto, 'ela queria' olhos.
Então eles enfiam, tiram -
Quando protestamos,
nos chamam de metidas, um pau no lodo.

Colamos nossos dedos quando costuramos
os jeans rasgados de nossos filhos,
os egos machucados de nossos maridos.
Colamos post-its na geladeira,
lembrando nossos filhos do treino de beisebol,
lembrando nossas filhas para
seguirem suas dietas.
Ficamos admiradas com a cena de bonequinhos da Suzy,
a última de uma série de autorretratos.
E se somos do tipo, querida,
que gosta de se colar umas nas outras,
nos destacamos - Evas distorcidas.
E mesmo com nossas botas de combate, às vezes nos despedaçamos como
bastões de picar, longe uma da outra, e tortas."

Mama enxuga os olhos, o rímel borrando
seu rosto com Oil of Olay.
Ela levanta a boca da filha até seu mamilo,
fricciona as costas acolchoadas,
olha nos olhos claros -
tão satisfeita, barriguinha cheia.
"'Não quero que você coloque flores
na minha sepultura, menininha,'"
mama diz,
'com o peso do mundo
suas ombreiras de bastão.
Chorando,
e nunca sabendo por quê.'"

Composição: Alix Olson