
Lençol de Linho
Allan Constante
Era um dia qualquer
Um dia tal como hoje
Eu buscava respostas
Mesmo amargas ou doces
Deitei sobre o lençol
De puro linho branco
Sequei a tempestade
Vesti o meu manto
No lençol de linho
Vermelho era a cor
Sem mais cama vazia
Só a ausência ficou
A cama que nos unia
Toda limpa e arrumada
Era tudo e nada o que sentia
Em minha velha morada
O vermelho tomou o branco
Como o fogo em noite fria
Era o peso de um pranto
Que tingia poesias
Deitei sobre o lençol
De puro linho branco
Sequei a tempestade
Vesti o meu manto
No lençol de linho
Vermelho era a cor
Sem mais cama vazia
Só a ausência ficou
A cor que invade o lençol
Não há mais corpo, só memória
E um silêncio que consome
Apagando nossa história
No linho que se desfaz
A ausência é quem me guia
O vermelho não é paz
É só o fim da harmonia
Já com as mãos em meu rosto
E chuva fina entre os dedos
Leve sabor de desgosto
Eu cedi aos meus medos
Eu cedi aos meus medos
Eu cedi aos meus medos
No lençol de linho
Vermelho era a cor
Sem mais cama vazia
Só sua ausência ficou



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