
Pedaços de Homem
Allan Constante
Tenho os olhos de meu pai
E o sorriso raro de minha mãe
Mas também carrego o rosto
De um íntimo estranho
Já fui o retrato rasgado
E a cicatriz escondida
Até espelho do passado
De vida não vivida
Eu tenho os olhos de meu pai
E o sorriso de minha mãe
Mas também carrego o rosto
De um íntimo estranho
Tropeço em outros como eu
Desvio o olhar e tento seguir
Ouço gritos que me pedem silêncio
Sussurros que me convidam a desistir
Pedaços de homem que fui sem poder ser
Pedaços de homem que se arrastam mas eu finjo não ver
Pedaços de homem que sou, quase sem querer
Pedaços de homem que se arrastam e que não mais quero ser
Eu tenho os olhos de meu pai
O sorriso de minha mãe
Mas na verdade o que eu sou
Pedaços de homem que fui sem poder ser
Pedaços de homem que se arrastam
Pedaços de homem que fui
Pedaços de homem sem poder crer
Pedaços de homem
Que finjo não ser



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