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A Mão no Chão

Amélie Veille

La main sur le carreau

Les yeux rivés sur le chemin
Désert depuis ce matin
T'avais pourtant promis de venir
Si tu savais ce que j'ai à te dire

J'aimerais que tu touches à mon bedon
Ça vit dans mon petite ventre rond
Je t'attends la main sur le carreau
T'arriveras pas de si tôt

Où cé que t'étais quand j'avais froid
Quand j'avais besoin d'un sourire ?
Le jour où j'ai appris à rire
Tu m'entendais pas

Où cé que t'étais quand j'ai compris
Qu' les bébés naissent pas dans les choux ?
À l'heure de souffler mes bougies
J'me demandais j' v'nais d'où

Où cé que t'étais où cé que t'étais ?
Où est-ce que t'es où est-ce que t'es ?
J'ai passé ma vie à te chercher
Sous les matelas sur les photos
Où cé que t'étais où cé que t'étais ?
Où est-ce que t'es où est-ce que t'es ?
J'ai passé ma vie à t'attendre
La main sur le carreau.

Où cé que t'étais quand je marchais p(l)us ?
Quand j'avais trop fumé trop bu ?
J'aurais tellement voulu que tu me tiennes
sur toi, que tu me parles que tu me soutiennes

Que tu rencontres le premier gars
Qui m'a visité sous les draps
On sait jamais, t'aurais peut-être su
Que sa main allait me tomber dessus

Où cé que t'étais où cé que t'étais ?
Où est-ce que t'es où est-ce que t'es ?
J'ai passé ma vie à te chercher
Dans les histoires, en dessous des mots
Où cé que t'étais où cé que t'étais ?
Où est-ce que t'es où est-ce que t'es ?
J'ai passé ma vie à t'attendre
La main sur le carreau.

Je te regarderai garer ton auto
Tu me rejoindras sur le balcon
Je reprendrai mon air idiot
J'aime la couleur de ton veston…

J'étoufferai en pensant combien
Tu m'as fait mal, mais je dirai rien
Je sais tout ce que je te dois
Aujourd'hui je serais pas là

Si t'avais pas, il y a longtemps,
Longtemps marché les pieds dans l'ombre
Jusqu'à la belle aux cheveux sombres…
Si t'avais pas aimé Maman

A Mão no Chão

Os olhos fixos no caminho
Deserto desde de manhã
Você tinha prometido vir
Se soubesse o que eu tenho pra te contar

Eu queria que você tocasse na minha barriga
Tem vida dentro do meu ventre redondo
Estou te esperando com a mão no chão
Você não vai chegar tão cedo

Onde você estava quando eu estava com frio
Quando eu precisava de um sorriso?
No dia em que aprendi a rir
Você não me ouvia

Onde você estava quando eu entendi
Que os bebês não nascem em repolhos?
Na hora de soprar as velas
Eu me perguntava de onde eu vim

Onde você estava, onde você estava?
Onde é que você tá, onde é que você tá?
Passei minha vida te procurando
Debaixo dos colchões, nas fotos
Onde você estava, onde você estava?
Onde é que você tá, onde é que você tá?
Passei minha vida te esperando
A mão no chão.

Onde você estava quando eu não conseguia mais andar?
Quando eu tinha fumado demais, bebido demais?
Eu queria tanto que você me segurasse
Em você, que você falasse, que você me apoiasse

Que você conhecesse o primeiro cara
Que me visitou debaixo dos lençóis
Nunca se sabe, talvez você soubesse
Que a mão dele ia cair sobre mim

Onde você estava, onde você estava?
Onde é que você tá, onde é que você tá?
Passei minha vida te procurando
Nas histórias, por trás das palavras
Onde você estava, onde você estava?
Onde é que você tá, onde é que você tá?
Passei minha vida te esperando
A mão no chão.

Eu vou te olhar estacionar seu carro
Você vai me encontrar na varanda
Eu vou voltar a fazer minha cara de idiota
Eu gosto da cor do seu paletó...

Eu vou sufocar pensando em quanto
Você me machucou, mas não vou dizer nada
Eu sei tudo que eu te devo
Hoje eu não estaria aqui

Se você não tivesse, há muito tempo,
Andado com os pés na sombra
Até a bela de cabelos escuros...
Se você não tivesse amado a mamãe.

Composição: Amelie Veille