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O Barbeiro de Sevilha

Marcel Amont

Le barbier de Séville

En m'asseyant dans mon fauteuil
Je remarquai en un clin d'œil
Que ma voisine était charmante
Mais elle était accompagnée
D'un mélomane renfrogné
À la barbiche menaçante

Alamaviva et Figaro
S'entretenaient en bel canto
D'une enfant appelée Rosine
Emprisonnée dans la maison
D'un épouvantable barbon
Comme celui
Comme celui
De ma voisine

{Refrain:}
Et c'est ainsi qu'au Barbier de Séville
Je pris un plaisir extrême
Que je n'eusse point
Que je n'eusse point
Trouvé dans la vie de bohème
Que je n'eusse point
Que je n'eusse point
Trouvé dans la vie de bohème

C'est d'abord pression légère
Du genou qui se resserre
Et comme la belle ne fuit pas ce contact
Je prendrai, prendrai sa main au deuxième acte

Attention, car je vois la barbiche
Pointer, pointer sournoisement
Piano, piano, piano, piano
Puisque ce vieillard me suspecte
Imitons le maintien du monsieur qui se délecte
Imitons ton ton ton ton ton
Le maintien tien tien tien tien tien
Du monsieur qui se délecte

En m'agitant dans mon fauteuil
Je commençais à faire mon deuil
De ma ravissante voisine
Lorsque soudain un ronflement
Vint troubler le recueillement
Pendant le grand air de Rosine

Le barbichu s'est endormi
Aux doux accents de Rossini
Et par une rencontre heureuse
À ce moment-là le ténor
En faisant trembler les décors
Presse Rosine
Sur sa poitrine
Mélodieuse

{au Refrain}

Ce Figaro, depuis une heure,
Me dit le lieu de sa demeure
Numéro vingt, belle façade
La la la la, deuxième arcade
Oui, mais l'adresse de ce barbier
Offre pour moi peu d'intérêt
J'aimerais mieux savoir la vôtre
Pendant que dort ce bon apôtre

Déjà mon âme
D'amour s'enflamme
Et puis elle a sur le programme
Douce espérance
Douce espérance
Elle a trompé la surveillance
De son gardien sans vigilance

Ah ! Cher Figaro
Déjà mon âme
D'amour s'enflamme
Déjà mon âme
D'amour s'enflamme

Allegro et prestissimo
Elle m'a donné son numéro
Son numéro de téléphone

Et d'une voix au pur métal
C'est moi qui chante le final
Ce soir à l'Opéra Comique
Et d'une voix au pur métal
C'est moi qui chante le final
Ce soir à l'Opéra Comique :
Étoile quarante-trois
Quarante-trois zéro sept {ad lib}

O Barbeiro de Sevilha

Ao me sentar na minha poltrona
Notei num piscar de olhos
Que minha vizinha era encantadora
Mas ela estava acompanhada
De um melômanazinho carrancudo
Com um queixo ameaçador

Alamaviva e Figaro
Conversavam em bel canto
Sobre uma menina chamada Rosine
Prisioneira em casa
De um velho horrível
Como aquele
Como aquele
Do meu lado

{Refrão:}
E foi assim que no Barbeiro de Sevilha
Tive um prazer extremo
Que eu não teria
Que eu não teria
Encontrado na vida boêmia
Que eu não teria
Que eu não teria
Encontrado na vida boêmia

É primeiro uma pressão leve
Do joelho que se aperta
E como a bela não foge desse contato
Eu vou pegar, pegar a mão dela no segundo ato

Cuidado, pois vejo o queixo
Aparecer, aparecer sorrateiramente
Devagar, devagar, devagar, devagar
Já que esse velho me suspeita
Imitemos a postura do senhor que se deleita
Imitemos seu tom ton ton ton ton
A postura seu seu seu seu seu
Do senhor que se deleita

Ao me agitar na minha poltrona
Comecei a fazer meu luto
Por minha vizinha encantadora
Quando de repente um ronco
Veio perturbar o silêncio
Durante o grande ar de Rosine

O barbichu adormeceu
Aos doces acordes de Rossini
E por um encontro feliz
Nesse momento o tenor
Fazendo tremer os cenários
Aperta Rosine
Contra seu peito
Melodioso

{Refrão}

Esse Figaro, há uma hora,
Me diz onde ele mora
Número vinte, bela fachada
La la la la, segunda arcada
Sim, mas o endereço desse barbeiro
Não me interessa muito
Eu preferiria saber o seu
Enquanto esse bom apóstolo dorme

Já minha alma
De amor se inflama
E então ela tem no programa
Doce esperança
Doce esperança
Ela enganou a vigilância
De seu guardião desatento

Ah! Querido Figaro
Já minha alma
De amor se inflama
Já minha alma
De amor se inflama

Allegro e prestíssimo
Ela me deu seu número
Seu número de telefone

E com uma voz de puro metal
Sou eu quem canta o final
Esta noite no Ópera Comique
E com uma voz de puro metal
Sou eu quem canta o final
Esta noite no Ópera Comique:
Estrela quarenta e três
Quarenta e três zero sete {ad lib}

Composição: Claude Nougaro / Datin