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O Poço Amargo

Ana Alcaide

El Pozo Amargo

Las sombras de tu vergel secreto
Testigos los besos
De labio y labio abiertos en flor
Doncella de nobleza levita
Si adoras a un cristiano
Más vale que silencies tu amor

La noche soñada en los jardines
Despista a los guardianes
Que velan tus paseos, Raquel
Tan solo la Luna en su crecida
Conoce de tus dichas
Y el pozo en que le aguardas a el

Rosarios de auroras toledanas
Bendicen vuestra suerte
Y os vuelven descuidados tal vez
Luceros y estrellas pasajeras
Perfilan en el aire su entrega y tu desnudez

Y al alba de una noche certera
Partido de un abrazo
Por una daga criminal
La sangre templada de Fernando
Destila entre tus manos
Y anuncia su destino fatal

En su agua calmaré
Este amargo dolor
Fernando, sálvame
¿Ya estás aquí, mi amor?

Calvario de pena y desconsuelo
Te arranca de tu lecho en delirio
Y vas al pozo a llorar
Locura de hiel en tus sollozos
Derraman en su cauce
El mal sabor de tu pesar

Asomas a la bosa profunda
Sus ojos te sonríen
Serenos del perdón de Dios
Y cuentan cristianos de Toledo
Que aullando con el viento
Quebrada se escucha tu voz

En su agua calmaré
Este amargo dolor
Fernando, sálvame
¿Ya estás aquí, mi amor?

En su agua calmaré
Este amargo dolor
Fernando, sálvame
¿Ya estás aquí, mi amor?

O Poço Amargo

As sombras do seu jardim secreto
Testemunhas os beijos
De lábio a lábio abertos em flor
Donzela de nobreza leve
Se adoras um cristão
É melhor silenciar seu amor

A noite sonhada nos jardins
Desvia os guardiões
Que vigiam seus passeios, Raquel
Só a Lua em sua cheia
Conhece suas alegrias
E o poço onde você o aguarda

Rosários de auroras toledanas
Bendizem sua sorte
E talvez os tornem descuidados
Luz e estrelas passageiras
Desenham no ar sua entrega e sua nudez

E ao amanhecer de uma noite certeira
Partido de um abraço
Por uma adaga criminosa
O sangue quente de Fernando
Destila entre suas mãos
E anuncia seu destino fatal

Na sua água acalmarei
Esta dor amarga
Fernando, me salve
Você já está aqui, meu amor?

Calvário de pena e desespero
Te arranca da cama em delírio
E você vai ao poço chorar
Loucura de fel em seus soluços
Derramam em seu leito
O gosto amargo do seu pesar

Você se aproxima do poço profundo
Seus olhos te sorriem
Serenos do perdão de Deus
E contam os cristãos de Toledo
Que uivando com o vento
Quebrada se ouve sua voz

Na sua água acalmarei
Esta dor amarga
Fernando, me salve
Você já está aqui, meu amor?

Na sua água acalmarei
Esta dor amarga
Fernando, me salve
Você já está aqui, meu amor?

Composição: Ana Alcaide