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Avarícia

Ana Tijoux

Avaricia

Tengo una pena, grande es mi pena
Que habita en mi memoria
Y recorre mis venas
Esa pena, una condena
Sensible a la injusticia
Seductora avaricia es

Por momentos siento que nada
Contra una marea interminable
De desconsistencia, eso bien la vida lo sabe todo
Me parece estar costando el doble
Y todo me parece más complejo
Un tupido panorama se avecina
En lo que llaman estos tiempos modernos
Pagar para vivir, vivir para soñar
Soñar para sentir, sentir para no morir
En el mero intento de querer dejar una huella
En esta historia sin un nombre el hombre
Debe afrontar su peor miedo
El de tener que enfrentarse a otro hombre
Como cuando y donde
Las preguntas siguen vivas, y la llama sigue encendida
Relaciones humanas como caja de sorpresas
En casa ves lo que te toca
Parte dulce, parte espesa
Parte dulce, parte espesa

Tengo una pena, grande es mi pena
Habita en mi memoria y recorre mis venas
Esa pena, una condena
Sensible a la injusticia
Seductora avaricia es

Esa es mi pena, maldita pena
Por los que buscan el oro
Olvidando sus tesoros
Es alma en pena, cruzas las ceras
Gritos de un mundo silente
Donde no hay primavera, sí

En un domingo amargo
El pasar de las horas me está matando
Ándate y no vuelvas que te estaré esperando
Mientras suena el teléfono de vez en cuando yo sé
Que nada es para siempre
Y una pena que muerde fuerte
Esa pena que la razón no entiende
Porque no la tiene y que al ver la pierde
Atormenta el descuido, la sombra asustado se da por vencido
La vida sencilla cristalina encucrilla
Entre la víbora esquina
La muerte de esa fila con punta de vida
Esa soledad depresiva, suicida
Oportunidades perdidas por todo aquello
Que dios ya no mira
Relaciones humanas
Cajas de sorpresas
Parte dulce, parte espesa
Parte dulce, parte espesa

Tengo una pena, grande es mi pena
Habita en mi memoria y recorre mis venas
Esa pena, una condena
Sensible a la injusticia
Seductora avaricia es

Esa pena maldita pena
Por los que buscan el oro
Olvidando sus tesoros
Es alma en pena, cruzas las ceras
Gritos de un mundo silente
Donde no hay primavera, sí

Avarícia

Tenho uma dor, grande é minha dor
Que habita na minha memória
E percorre minhas veias
Essa dor, uma condenação
Sensível à injustiça
Sedutora avarícia é

Por momentos sinto que nada
Contra uma maré interminável
De inconsistência, isso a vida sabe tudo
Parece que está custando o dobro
E tudo me parece mais complexo
Um panorama denso se aproxima
No que chamam de tempos modernos
Pagar para viver, viver para sonhar
Sonhar para sentir, sentir para não morrer
No mero intento de querer deixar uma marca
Nesta história sem nome, o homem
Deve enfrentar seu pior medo
O de ter que encarar outro homem
Como quando e onde
As perguntas continuam vivas, e a chama permanece acesa
Relações humanas como caixa de surpresas
Em casa você vê o que lhe toca
Parte doce, parte densa
Parte doce, parte densa

Tenho uma dor, grande é minha dor
Habita na minha memória e percorre minhas veias
Essa dor, uma condenação
Sensível à injustiça
Sedutora avarícia é

Essa é minha dor, maldita dor
Por aqueles que buscam o ouro
Esquecendo seus tesouros
É alma penada, cruzando as calçadas
Gritos de um mundo silencioso
Onde não há primavera, sim

Em um domingo amargo
O passar das horas está me matando
Vá embora e não volte que estarei esperando
Enquanto o telefone toca de vez em quando eu sei
Que nada é para sempre
E uma dor que morde forte
Essa dor que a razão não entende
Porque não a tem e que ao ver a perde
Atormenta o descuido, a sombra assustada se dá por vencida
A vida simples e cristalina se enrosca
Entre a esquina da víbora
A morte dessa fila com ponta de vida
Essa solidão depressiva, suicida
Oportunidades perdidas por tudo aquilo
Que Deus já não vê
Relações humanas
Caixas de surpresas
Parte doce, parte densa
Parte doce, parte densa

Tenho uma dor, grande é minha dor
Habita na minha memória e percorre minhas veias
Essa dor, uma condenação
Sensível à injustiça
Sedutora avarícia é

Essa dor maldita dor
Por aqueles que buscam o ouro
Esquecendo seus tesouros
É alma penada, cruzando as calçadas
Gritos de um mundo silencioso
Onde não há primavera, sim