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Escuta-me

Ana Tijoux

Óyeme

Mi piel es morena, mis ojos negro'
Negro' y azabache, descendiente de mi abuelo
En mi tez madera que corre por mis venas
Y el cuero que te suena viene de mi tierra
Vine de tan lejos con solo lo puesto
Crucé tantas agua', varios desierto'
Llevo en la boca parte de mi cielo
Por donde camine, porto de mis duelo'
Mis pies cansado', pero llenos de sueño'
Acá los cortaron acusándome de quitar empleo
No quepo, no entro, mi cuerpo entero
Canta libertad, mientra' tú mata' a mi pueblo

Que limpie lo malo, que se apague el fallo (a-agua)
Que bote todo el odio, que lo limpie todo (a-agua)
Que llueva la vida, que lleve la ira
A-Agua, agua, agua, a-a-a-a–
Que limpie lo malo, que se apague el fallo (a-agua)
Que bote todo el odio, que lo limpie todo (a-agua)
Que llueva la vida, que lleve la ira
A-Agua, agua, agua, a-a-a-a–

Levantaron alambrados, nos encadenaron
Crearon cárceles en medio del océano
Barcos absurdos, esclavistas humanos
Y acá seguimos enjaulados
En la hipocresía gritan democracia
Silencian la justicia, quitan su balanza
Rompen de su espada, nadie dice nada, yo
Es la historia no contada
La colonia sigue, tu silencio es cómplice
La frontera divide al hombre según donde se reside
No es el mismo precio que ser blanco que ser negro
Arriba, la humanidad primero

Que limpie lo malo, que se apague el fallo (a-agua)
Que bote todo el odio, que lo limpie todo (a-agua)
Que llueva la vida, que lleve la ira
A-Agua, agua, agua, a-a-a-a–
Que limpie lo malo, que se apague el fallo (a-agua)
Que bote todo el odio, que lo limpie todo (a-agua)
Que llueva la vida, que lleve la ira
A-Agua, agua, agua, a-a-a-a–

Óyeme, tirano
Tú que oprimes tanto
Que vas esclavizando
Disparando, matando
Óyeme mi canto, que se oiga alto
Con mi pueblo levanto
Libertad 'tá llamando
Óyeme, tirano
Tú que oprimes tanto
Que vas esclavizando
Disparando, matando
Óyeme mi canto, que se oiga alto
Con mi pueblo levanto
Libertad 'tá llamando

Libertad 'tá llamando
Libertad 'tá llamando
Libertad 'tá llamando
Libertad 'tá llamando
Libertad 'tá llamando
Libertad 'tá llamando
Libertad 'tá llamando
Libertad 'tá llamando

Escuta-me

Minha pele é morena, meus olhos são negros
Negros e azuis, descendente do meu avô
Na minha pele, a madeira que corre nas minhas veias
E o couro que te soa vem da minha terra
Vim de tão longe com só o que eu tinha
Cruzei tantas águas, vários desertos
Levo na boca parte do meu céu
Por onde eu andar, carrego meus lutos
Meus pés cansados, mas cheios de sonhos
Aqui me cortaram, me acusando de tirar emprego
Não cabe, não entro, meu corpo inteiro
Canta liberdade, enquanto você mata meu povo

Que limpe o que é ruim, que se apague o erro (a-água)
Que jogue fora todo ódio, que limpe tudo (a-água)
Que chova vida, que leve a ira
A-Água, água, água, a-a-a-a
Que limpe o que é ruim, que se apague o erro (a-água)
Que jogue fora todo ódio, que limpe tudo (a-água)
Que chova vida, que leve a ira
A-Água, água, água, a-a-a-a

Levantaram cercas, nos encadearam
Criaram prisões no meio do oceano
Barcos absurdos, escravistas humanos
E aqui seguimos enjaulados
Na hipocrisia gritam democracia
Silenciam a justiça, tiram sua balança
Quebram sua espada, ninguém diz nada, eu
É a história não contada
A colônia continua, seu silêncio é cúmplice
A fronteira divide o homem conforme onde se reside
Não é o mesmo preço ser branco ou ser negro
Acima, a humanidade primeiro

Que limpe o que é ruim, que se apague o erro (a-água)
Que jogue fora todo ódio, que limpe tudo (a-água)
Que chova vida, que leve a ira
A-Água, água, água, a-a-a-a
Que limpe o que é ruim, que se apague o erro (a-água)
Que jogue fora todo ódio, que limpe tudo (a-água)
Que chova vida, que leve a ira
A-Água, água, água, a-a-a-a

Escuta-me, tirano
Você que oprime tanto
Que vai escravizando
Disparando, matando
Escuta meu canto, que se ouça alto
Com meu povo eu levanto
Liberdade tá chamando
Escuta-me, tirano
Você que oprime tanto
Que vai escravizando
Disparando, matando
Escuta meu canto, que se ouça alto
Com meu povo eu levanto
Liberdade tá chamando

Liberdade tá chamando
Liberdade tá chamando
Liberdade tá chamando
Liberdade tá chamando
Liberdade tá chamando
Liberdade tá chamando
Liberdade tá chamando
Liberdade tá chamando

Composição: Ana Tijoux, Andrés Celis