
Vai Floreando
André Teixeira
Vai floreando este bandônio Tio Medeiros
Que o Rio Grande segue firme teu compasso
Bota o freio e ajeita o passo dessa indiada
Que anda torcendo os costumes deste pago
Eu sou do tempo que o avó puxava lenha
Da velha caixa sentado junto ao fogão
E a cada acha repontava o frio do inverno
Na noite grande proseadita de serão
Eu sou do tempo do parador das cacimbas
Da velha pipa resmungando no verão
E das cantigas, serenatas, Lua branca
Coisas antigas, falatórios de galpão
(Vai floreando, vai floreando este bandônio Tio Medeiros
Que eu vou lembrando despacito desses pagos
Rodeiozito pros lados lá de Rosário
De meio-dia assado no ramadão
Cada floreio deste bandônio espichado
Lembra os bailes repontando a tradição
Gente buena, bem pilchada e de respeito
E a alma limpa qual vertente desse chão)
Eu sou do tempo da moagem do moinho
Do cercadito amarelado de melão
E da carreta chorando a roda sem graxa
Com lenha bruta pro braseiro do fogão
Do milho verde, da canjica e do sopão
Sarrabulho, torta frita e o torresmo
Pão caseiro, linguiça cortada a faca
E o sangrador na lareira do galpão
Vai floreando este bandônio Tio Medeiros
De longe eu escuto tua ressonga
É temporal como o broto da carqueja
Temperando a alma bugra das milongas



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