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Sereia

Andréel

Sirène

{Elle}
Je ne suis plus personne à l'heure où je m'abandonne

{Lui}
Sur une plage, à l'heure où se crève l'aurore
Je errais sage, jouant des vagues au rebord
Qui de salive vinrent relever mon sort
Sombrant des rives amères de mes remords

Sur une plage, à l'or où l'aube se dore
Lors je m'évadais de ce monde aigri, retors
Fût-ce une dame ? Qu'importe île ou sémaphore
De queue de palme et d'ivresse de corps

Votre tangage, Madame, me donne des maux doux
Sur ce rivage, reposons-nous

Parcourant ses dessous mise je l'ai de réconfort
Anémone à genoux, soutenant son auguste port
M'en mêlais de son trou sot mais de pelles mon trésor
N'en avait point du tout, chaude mais si lisse décor

{Elle}
Dieu, restez sage, ne soyez point si fou
Voyez l'éternité, devant nous

Je ne suis plus personne alors que je m'abandonne

{Lui}
De cette outragique affaire j'en devins soûl
La vénus des arctiques de coraux en courroux
Me laissait à l'article d'une morsure dégoû-
-tant mes érotiques, gangrenant mes atouts

Tant pis pour l'Amazone qui me rendait fou
J'irai me pendre la queue à mon cou

{Elle}
Je ne suis plus personne à l'heure qui m'abandonne

Sereia

{Ela}
Não sou mais ninguém na hora em que me abandono

{Ele}
Na praia, na hora em que a aurora se despedaça
Eu vagava tranquilo, brincando com as ondas na beira
Que de saliva vieram mudar meu destino
Afundando nas margens amargas dos meus remorsos

Na praia, na hora em que a aurora se doura
Enquanto eu escapava deste mundo amargo e traiçoeiro
Seria uma dama? Que importa ilha ou semáforo
De cauda de palmeira e embriaguez de corpos

Seu balanço, Madame, me dá dores doces
Nesta costa, vamos descansar

Percorrendo suas partes, eu a tenho de conforto
Anêmona de joelhos, sustentando seu augusto porte
Me envolvi em seu buraco bobo, mas de pás meu tesouro
Não tinha nada, quente, mas tão liso o cenário

{Ela}
Deus, fique calmo, não seja tão louco
Veja a eternidade, diante de nós

Não sou mais ninguém enquanto me abandono

{Ele}
Desta trágica história eu fiquei bêbado
A vênus dos árticos de corais em fúria
Me deixava à beira de uma mordida nojenta
Desgastando minhas eróticas, gangrenando meus trunfos

Que se dane a Amazona que me deixava louco
Vou me enforcar com meu próprio pescoço

{Ela}
Não sou mais ninguém na hora que me abandono

Composição: