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Mil Anos Luz

Andrés Oroño

Mil Años Luz

Hablabas muchas lenguas desconocidas
Y yo asentía como si entendiera
Quería hablarte y algo en mí lo reprimía
Como un impulso suicida que se apodera

Supe que te quería aunque no quise
Decírtelo por miedo a que no te importara
Voy incompleto por culpa del eclipse
Lo digo todo a veces sin decirte nada

Solo hay que estar con los sentidos bien abiertos
Un poco atento a cómo viene la jugada
Me fui sin tu permiso, volví por el hechizo
Dejaste todo atrás estás adelantada

Mil años luz
Se borró la carretera
Mil años luz
Y dejaste todo afuera

¿Cómo hay que hacer para no repetirse?
Y darse en alimento sin caer pesado
No creo que estar despierto sea no dormirse
Sabemos que nos vemos igual de ojos cerrados

Pensamos en parar un poco y no pudimos
Sacándole a la medianoche un cuarto
Lo recordamos todo y nos arrepentimos
Me supe un poco tuyo, pero hoy no me comparto

Me gustaría hablarte, dije, sobre lo nuestro
Si anónimo te gusta como nombre
Dijiste: Falta mucho para tan solo un resto
Sé que lo encontraremos, pero no sé dónde

Mil años luz
Se borró la carretera
Mil años luz
Y dejaste todo afuera

Te veo a la distancia con cercanía
Me guardo la más rara de las fotos
Creí que maniobraba y ni siquiera conducía
Me di por el chofer y soy el copiloto

Se acerca mi destino, pero que siga el viaje
Tratando de abrir otro acuerdo, cerrando un trato
No ganamos nada pero esto se reparte
Se puede vivir y morir en un mismo acto

Mil Anos Luz

Você falava muitas línguas desconhecidas
E eu só concordava como se entendesse
Queria te falar, mas algo em mim segurava
Como um impulso suicida que me domina

Eu soube que te queria, mesmo sem querer
Te dizer isso, com medo de não te importar
Vou incompleto por causa do eclipse
Falo tudo às vezes sem te dizer nada

Só é preciso estar com os sentidos abertos
Um pouco atento a como a coisa vai
Fui sem sua permissão, voltei pelo feitiço
Deixou tudo pra trás, você está à frente

Mil anos luz
A estrada se apagou
Mil anos luz
E você deixou tudo pra fora

Como fazer pra não se repetir?
E se dar de alimento sem ser pesado
Não acho que estar acordado é não dormir
Sabemos que nos vemos com os olhos fechados

Pensamos em parar um pouco e não conseguimos
Tirando da meia-noite um quarto
Lembramos de tudo e nos arrependemos
Me senti um pouco seu, mas hoje não me compartilho

Gostaria de te falar, disse, sobre nós
Se anônimo te agrada como nome
Você disse: Falta muito pra ser só um resto
Sei que vamos encontrar, mas não sei onde

Mil anos luz
A estrada se apagou
Mil anos luz
E você deixou tudo pra fora

Te vejo à distância com proximidade
Guardo a mais estranha das fotos
Achei que estava dirigindo e nem estava no volante
Me dei como o motorista e sou o copiloto

Meu destino se aproxima, mas que siga a viagem
Tentando abrir outro acordo, fechando um trato
Não ganhamos nada, mas isso se divide
Dá pra viver e morrer em um mesmo ato

Composição: Andrés Oroño