Náutico
A mí me tocaba el cielo
A ti te sobraba el nombre
Y, afuera, toda la noche
Conmigo rompió el silencio
Por más que quiera, no puedo
Pedir que te desabroches
La aurora y el desconsuelo
La risa ya desatada
A más monedas sin caras
La cruz de hacerte recuerdo
Y así, colgada, te llevo
Como esa estrella en tu espalda
Por no decirle: Te quiero
Me vi retirando el coche y ahí
Donde el mar se acaba me fui
Sin salir del porche
Después de andar tanta playa
Qué arena su cuerpo esconde
Hay faros que no se apagan
Y a cada trece segundos
Rebosa otra vez el mundo
Soñando verte la cara
Destello que una mañana
Cambió de norte mi rumbo
Jugando a juntar palabras
Borrachos de desacato
Bajando por su garganta
Creció la Luna
El Náutico cerró pronto
Con la fortuna
De no darse cuenta
Que aún estábamos dentro
Por no decirle: Me muero sin ti
Vivo con la pena de abrir
Cada cien de enero
La puerta de su condena
La de imaginar su vuelta
Gritándome Marinero
Aquí estoy para que duelas
Pero esta vez no me muevo
Por no decirle: Me muero sin ti
Vivo con la pena de abrir
Cada cien de enero
La puerta de su condena
La de imaginar su vuelta
Gritándome: Marinero
Aquí estoy para que duelas
Pero esta vez no me muevo
Náutico
Eu tocava o céu
Você tinha o nome de sobra
E, lá fora, a noite inteira
Comigo quebrou o silêncio
Por mais que eu queira, não consigo
Pedir pra você se soltar
A aurora e o desespero
A risada já liberada
Mais moedas sem rostos
A cruz de te lembrar
E assim, pendurada, te levo
Como aquela estrela nas suas costas
Por não dizer: Eu te amo
Me vi saindo com o carro e lá
Onde o mar acaba, eu fui
Sem sair do quintal
Depois de andar tanta praia
Que areia seu corpo esconde
Tem faróis que não se apagam
E a cada treze segundos
O mundo transborda de novo
Sonhando em ver seu rosto
Um brilho que uma manhã
Mudou meu rumo pro norte
Brincando de juntar palavras
Bêbados de desobediência
Descendo pela garganta dela
A Lua cresceu
O Náutico fechou cedo
Com a sorte
De não perceber
Que ainda estávamos dentro
Por não dizer: Eu morro sem você
Vivo com a dor de abrir
A cada cem de janeiro
A porta da sua condenação
A de imaginar seu retorno
Gritando: Marinheiro
Aqui estou pra você sentir dor
Mas dessa vez não me movo
Por não dizer: Eu morro sem você
Vivo com a dor de abrir
A cada cem de janeiro
A porta da sua condenação
A de imaginar seu retorno
Gritando: Marinheiro
Aqui estou pra você sentir dor
Mas dessa vez não me movo