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Companheira

Ángel Parra

Compañera

Tu voz rompió mi silencio
cuando llegabas del mar.
Tu cuerpo limpio de engaños
me traía la verdad.

La noche que tenía mi alma
se convirtió en claridad
y en tu cuerpo, compañera,
mi vida eché a caminar.

El trigo de los veranos
va cayendo lentamente.
Las hojas caen y caen
a su encuentro con la muerte.

Y yo empiezo a descubrir
en tus ojos la vertiente,
agua pura y misteriosa,
cuerpo de rosa naciente.

Pobre de los caminantes
que se pierden en la noche,
sin la mano compañera
que los guíe por el monte.

Se hace tarde, compañera,
y debemos continuar.
Será larga la jornada,
¡compañera, a caminar!

Companheira

Sua voz quebrou meu silêncio
quando você chegava do mar.
Seu corpo limpo de enganos
me trazia a verdade.

A noite que tinha minha alma
se transformou em clareza
E em seu corpo, companheira,
minha vida começou a andar.

O trigo dos verões
vai caindo lentamente.
As folhas caem e caem
em seu encontro com a morte.

E eu começo a descobrir
em seus olhos a fonte,
água pura e misteriosa,
corpo de rosa que nasce.

Pobre dos caminhantes
que se perdem na noite,
só com a mão companheira
que os guie pela serra.

Está ficando tarde, companheira,
e precisamos continuar.
A jornada será longa,
companheira, vamos caminhar!

Composição: Angel Parra