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México 68

Ángel Parra

México 68

Para que nunca se olviden
las gloriosas olimpiadas
mandó a matar el gobierno
cuatrocientos camaradas.

Ay, Plaza de Tlatelolco,
cómo me duelen tus balas,
cuatrocientas esperanzas
a traición arrebatadas.

¿Cómo harán los granaderos
cuando llegan a sus casas?
¿Amarán a sus mujeres
con manos ensangrentadas?

Pero esas manchas no salen
ni con jabón, ni con agua.
Te pregunto, granadero:
¿con qué has pensado lavarlas?

La Virgen de Guadalupe
conoce a los asesinos,
ya no les prendas velitas
porque está con los caídos.
No acallarás tu conciencia
con plegarias o con vino.

Los estudiantes caminan
con la verdad en la mirada,
nada podrá detenerlos,
ni las flores ni las balas.
Para sus muertos les llevan
acciones, no más palabras.

A pesar de estar tan lejos
se escuchó aquí la descarga
de esos valientes soldados
que mataban por la espalda.

Para que nunca se olviden
de esa tierra mexicana
mandó a matar el gobierno
cuatrocientos camaradas.

México 68

Para que nunca se esqueçam
as gloriosas olimpíadas
mandou matar o governo
quatrocentos camaradas.

Ai, Praça de Tlatelolco,
como me doem suas balas,
quatrocentas esperanças
traídas e arrancadas.

Como vão os granadeiros
quando chegam em suas casas?
Amarão suas mulheres
com as mãos ensanguentadas?

Mas essas manchas não saem
nem com sabão, nem com água.
Te pergunto, granadeiro:
com o que você vai lavá-las?

A Virgem de Guadalupe
conhece os assassinos,
já não acenda velinhas
porque está com os caídos.
Não calarás sua consciência
com orações ou com vinho.

Os estudantes caminham
com a verdade no olhar,
nada poderá detê-los,
nem flores, nem balas.
Para seus mortos levam
ações, não mais palavras.

Apesar de estar tão longe
se ouviu aqui a descarga
desses valentes soldados
que matavam pelas costas.

Para que nunca se esqueçam
dessa terra mexicana
mandou matar o governo
quatrocentos camaradas.

Composição: Angel Parra