395px

Milonga para a chuva

Ángel Parra

Milonga para la lluvia

Me gusta ver cuando llueve
Pelearse a los nubarrones
Mirar como se enamoran
Las gotas en los terrones

Me gusta prender el fuego
Y ponerle chamicita
Pa' que se quemen los troncos
Hasta que se hagan cenizas

No me gustan los recuerdos
Que trae la tempestad
Muerte, dolor, malos trancos
Que a veces tuve que dar

Tampoco me gusta el río
Que arrastra con el sembra'o
Que aunque no me pertenece
Mis años le he dedica'o

Yo que no tengo caballo
Ni perro para silbar
Mejor que mire la lluvia
Para poder olvidar

Si acaso en la madrugada
Me despierto de improviso
Si ha llegado la bonanza
Salgo a buscar un camino

Me gustan y no me gustan
Los versos que da la vida
La noche no entrega nunca
Camino de amanecida

Milonga para a chuva

Gosto de ver quando chove
Brigando com as nuvens
Ver como se apaixonam
As gotas no chão

Gosto de acender o fogo
E colocar um pouco de lenha
Pra queimar os troncos
Até virarem cinzas

Não gosto das lembranças
Que traz a tempestade
Morte, dor, maus momentos
Que às vezes tive que enfrentar

Também não gosto do rio
Que arrasta a plantação
Que embora não me pertença
Meus anos eu dediquei

Eu que não tenho cavalo
Nem cachorro pra chamar
Melhor olhar a chuva
Pra poder esquecer

Se acaso de madrugada
Eu acordo de repente
Se chegou a bonança
Saio pra buscar um caminho

Gosto e não gosto
Dos versos que a vida dá
A noite nunca entrega
Caminho de amanhecer

Composição: Angel Parra