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Quero Voltar à Minha Terra

Ángel Parra

Quiero volver a mi tierra

Quiero volver a mi tierra
mas no como prisionero.
Ya recorrí el mundo entero,
mi pecho no encuentra calma.
Y es el dolor en el alma
el que no me deja en paz.
Quiero volver a mi tierra
pero verla en libertad.

Muchas hermanas naciones
me ofrecieron su cariño.
Yo rebelde como un niño,
hago que me voy quedando
cuando en verdad estoy llorando
por esa tierra perdida.
Y yo mi vida daría
para verla en libertad.

Ojalá, le pido al cielo,
que no sea como España
adonde las telarañas
impidieron el regreso.
Y como perro sin hueso
quedaron los compañeros,
repartidos por el mundo
igual que el judío errante.
No necesito estandarte
pa' pensar en el regreso.

Quiero volver a mi tierra
pero sin los asesinos
que interrumpen el camino
con cementerios y cruces.
Y desde ella se trasluce
que si no lo aramos juntos
la lucha por los difuntos
mártires en esta guerra
nuestros hijos gran vergüenza
pasarán en esta tierra.

Exilio no es acomodo
ni olvidarse ni un instante
que hay una tierra distante
esperando por sus hijos.
Ha de ser el rumbo fijo
querer volver a la lucha,
la harina no será mucha
para convertirla en pan.

Pero siquiera un pedazo
a todos nos va a tocar
y como cuerpo de Cristo
se habrá de multiplicar
como pueblo avergonzado
que encuentra su dignidad.

Quero Voltar à Minha Terra

Quero voltar à minha terra
mas não como prisioneiro.
Já percorri o mundo inteiro,
meu peito não encontra calma.
E é a dor na alma
que não me deixa em paz.
Quero voltar à minha terra
mas vê-la em liberdade.

Muitas nações irmãs
me ofereceram seu carinho.
Eu, rebelde como uma criança,
faço com que vou ficando
quando na verdade estou chorando
por essa terra perdida.
E eu daria minha vida
para vê-la em liberdade.

Oxalá, peço ao céu,
que não seja como a Espanha
onde as teias de aranha
impediram o retorno.
E como um cachorro sem osso
ficaram os companheiros,
distribuídos pelo mundo
igual ao judeu errante.
Não preciso de estandarte
pra pensar no retorno.

Quero voltar à minha terra
mas sem os assassinos
que interrompem o caminho
com cemitérios e cruzes.
E dela se reflete
que se não aramos juntos
a luta pelos mortos
mártires nesta guerra
nossos filhos, grande vergonha
passarão nesta terra.

Exílio não é acomodação
nem esquecer nem por um instante
que há uma terra distante
esperando por seus filhos.
Deve ser o rumo certo
querer voltar à luta,
a farinha não será muita
para transformar em pão.

Mas pelo menos um pedaço
a todos vai tocar
e como o corpo de Cristo
se multiplicará
como um povo envergonhado
que encontra sua dignidade.

Composição: Angel Parra