exibições de letras 41

Romance de Adaga e Tango

Ângelo Franco

Letra

    O céu se parava turvo
    E o vento assoprava o pasto
    Quando um janeiro já gazo
    Prenunciava um temporal

    Desencilhei o bagual
    E me acheguei pro bochincho
    Sedento de algum cambicho
    Sem compromisso moral
    Nem bem adentrei a sala
    Senti um arrepio na espinha

    E percebi que a bainha
    Da minha adaga castelhana
    Parecia uma picana
    Cutucando a valentia
    Me sugerindo sangria
    Com ares de soberana

    Foi quando a linda da sala
    Me presenteou um sorriso
    Meu coração bateu guiso
    Feito cobra-cascavel

    Então tapeei o chapéu
    E empecei o fandango
    Me apoderando do tango
    Como se fosse o Gardel

    Porém aquele presságio
    Da espinha que se arrepiava
    Quase nunca me enganava
    Era um balaço certeiro
    Que prenunciava entrevero
    Envolvendo algum fardado
    Ou um cornudo enciumado
    Posando de bochincheiro

    Mais até o sábio se engana
    Fazendo as vez de profeta
    A noite findou completa
    E o melhor sem entrevero

    Apenas um travesseiro
    Se fazia aquerenciado
    Sobre o aço esbranquiçado
    Duma uma adaga castelhana
    Que se guia soberana
    Guardando o posto ao meu lado

    Composição: Ângelo Franco. Essa informação está errada? Nos avise.

    Comentários

    Envie dúvidas, explicações e curiosidades sobre a letra

    0 / 500

    Faça parte  dessa comunidade 

    Tire dúvidas sobre idiomas, interaja com outros fãs de Ângelo Franco e vá além da letra da música.

    Conheça o Letras Academy

    Enviar para a central de dúvidas?

    Dúvidas enviadas podem receber respostas de professores e alunos da plataforma.

    Fixe este conteúdo com a aula:

    0 / 500

    Opções de seleção