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Milonga em Preto (part. Edmundo Rivero)

Anibal Troilo

Milonga En Negro (part. Edmundo Rivero)

Allá en una negra casa
Bajo un negro firmamento
Y donde en negro momento
Una negra escena pasa

Donde es negro
El dueño de casa
Y negro sus habitantes
Pero negros muy galantes
Y de educación no escasa

La negra doña Tomasa
Que una negra hija tiene
Con otro negro pretende
Su negra hija casar

Resulta que el negro novio
Todo como negra idea
Quiere que de negro sea
La fiesta más singular

Se van a una negra iglesia
De su negra religión
Donde con negro mantón
Un negro fraile esperaba

Negro un sacristán estaba
Sentado en negro sillón
Y con negra devoción
Un negro a Cristo besaba

Negro es el novio y la novia
Negro es el suegro y la suegra
Siendo la madrina negra
Negro también el padrino
Negro también sus vestidos
Y negra la concurrencia
Que con su negra presencia
Olían a negro vino

Se sientan en negra mesa
Negros manteles tendieron
Y negros los brindis fueron
Hechos con negra pereza

Después que negra tristeza
Aquellos negros cantaron
Un negro tango bailaron
Dentro de la negra pieza

Después de esta fiesta negra
Los negros novios se fueron
A un negro cuarto subieron
Negras sábanas tendieron

Y a eso de la medianoche
Cosas de negros hicieron
La negra durmió en la cama
Y él negro durmió en el suelo

Milonga em Preto (part. Edmundo Rivero)

Lá numa casa escura
Sob um céu bem sombrio
E onde em momento frio
Uma cena escura rola

Onde é escuro
O dono da casa
E escuros seus habitantes
Mas são escuros bem elegantes
E de educação não escassa

A dona Tomasa, a negra
Que uma filha tem bem negra
Com outro negro pretende
Casar sua filha escura

Acontece que o noivo negro
Com uma ideia bem escura
Quer que a festa seja
A mais singular e escura

Vão pra uma igreja escura
De sua religião escura
Onde com um manto escuro
Um frade negro esperava

Um sacristão bem negro estava
Sentado em um sofá escuro
E com devoção escura
Um negro a Cristo beijava

Negro é o noivo e a noiva
Negro é o sogro e a sogra
Sendo a madrinha escura
Negro também é o padrinho
Negro também seus vestidos
E escura a concorrência
Que com sua presença escura
Cheirava a vinho tinto

Sentam-se em mesa escura
Toalhas escuras estenderam
E escuros foram os brindes
Feitos com preguiça escura

Depois que a tristeza escura
Aqueles negros cantaram
Um tango negro dançaram
Dentro da peça escura

Depois dessa festa escura
Os noivos negros se foram
Subiram pra um quarto escuro
E lençóis escuros estenderam

E a isso da meia-noite
Coisas de negros fizeram
A negra dormiu na cama
E ele negro dormiu no chão

Composição: Edmundo Rivero